quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Varizes Vasinhos - (Dr. Elpidio Ribeiro - Cirurgião Vascular e Endovascular)

A escolha de tratar varizes ou vasinhos primeiro depende da gravidade dos sintomas e das recomendações do seu médico. Geralmente, as varizes são tratadas primeiro se causarem dor, inchaço, ou outros sintomas mais graves, pois elas podem indicar problemas mais profundos na circulação. Vasinhos, por outro lado, são normalmente uma preocupação estética e podem ser tratados posteriormente. Uma consulta com um angiologista ou cirurgião vascular ajudará a determinar o melhor plano de tratamento para o seu caso específico.

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Dr. Elpidio Ribeiro da Silva Filho

CirurgiãoVascular e Endovascular

CREMEC: 16.907 / RQE-CE: 11.221

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Hospital Regional Norte acumula mais de 650 mil atendimentos de urgência e emergência em 13 anos de funcionamento



O Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral, somou 659.799 atendimentos de emergências e urgências entre 2013 e 2026. O equipamento completou 13 anos de funcionamento neste mês de janeiro. Ele é o maior hospital em área do interior da Região Nordeste e referência em média e alta complexidade. A unidade atende uma população estimada em 1,6 milhão de pessoas dos 55 municípios da zona norte do Estado.

O HRN realizou também mais de 110 mil procedimentos cirúrgicos, 118 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil partos e mais de sete milhões de exames de imagem e laboratoriais, ao longo de 13 anos.

Com 459 leitos operacionais, distribuídos entre observação e internação, o hospital oferece assistência 24 horas em diferentes especialidades, incluindo urgências clínicas, cirúrgicas e pediátricas, sendo referência para o atendimento ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). O equipamento possui Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Adulto, Pediátrica e Neonatal, áreas de Cuidados Intermediários e de Cuidados Especiais Adulto, além de leitos de Neonatologia, Centro de Apoio à Saúde Reprodutiva da Mulher (CASRM) e Banco de Leite Humano.


Desde 2019, o HRN é certificado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), com selo de Acreditado com Excelência — Nível 3. Este é o nível de acreditação hospitalar mais elevado, refletindo padrões de qualidade, segurança do paciente e gestão integrada.

Assistência humanizada e ensino
Em 2025, o hospital iniciou uma nova frente de cuidado voltada para fortalecer ainda mais a relação com os usuários, com o Comitê de Experiência do Paciente. O grupo reúne representantes da direção, serviços assistenciais, setores de apoio e áreas administrativas, com o objetivo de garantir que a jornada do paciente seja continuamente aprimorada. Com isso, o HRN reforça seu compromisso em aliar técnica, acolhimento e escuta ativa para transformar cada atendimento em um cuidado mais humano e resolutivo.

Entre os pacientes que buscaram assistência na unidade está o comerciante Edimar Ximenes de Arruda, 72 anos, morador de Forquilha. Ele deu entrada na Emergência, no dia 13 de janeiro, com dor abdominal e, após atendimento inicial, foi encaminhado para a Clínica Médica, onde recebeu visitas multiprofissionais e realizou exames para investigação diagnóstica. Ao receber alta, avaliou positivamente o serviço.

“É um hospital muito importante para a região e para todos que dependem do SUS, como eu. Fui informado com paciência sobre meu diagnóstico, todos os dias. Aqui tem muita qualidade e bons profissionais”, afirmou.


Além da assistência, o HRN atua na formação de profissionais de saúde. Em 2025, passou a integrar o Programa de Residência Multiprofissional da Escola de Saúde Pública Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), vinculada à Sesa, com vagas nas áreas de UTI e Cuidado Clínico-Cirúrgico. A unidade também mantém Residência Médica em Neonatologia, Clínica Médica, Pediatria, Emergência, Terapia Intensiva e Ginecologia/Obstetrícia.

Para o diretor-geral do HRN, Carlos Hilton, os treze anos consolidam o papel estratégico da unidade na assistência hospitalar do interior cearense. “O hospital ampliou o acesso e a resolutividade em saúde para milhares de usuários do SUS. A estrutura, os indicadores e o volume de atendimentos demonstram a importância do equipamento para os municípios da zona norte”, destacou.

Comemoração

Em referência ao aniversário, durante o mês de janeiro o hospital está promovendo uma série de atividades internas com trabalhadores, pacientes e acompanhantes. Estão inclusos, reconhecimento de gestores e colaboradores, distribuição de mudas, arrecadação de resíduos eletrônicos, doação de livros, ações de bem-estar e palestras sobre atendimento humanizado e sustentabilidade. As iniciativas reforçam valores institucionais relacionados à qualidade assistencial, humanização e responsabilidade socioambiental.

Fonte: Assessoria de Comunicação do HRN

Jornalista: ThaisMenezes 

Produção local de células CAR-T possibilita o acesso ao tratamento em três semanas



Por: Daniela Barros

Três semanas: foi esse o tempo médio que separou a aférese do tratamento com células CAR-T em 11 pacientes com leucemia ou linfoma refratário no Einstein Hospital Israelita. Isso só foi possível porque as células T desses pacientes foram modificadas para reconhecer a proteína CD19 no próprio hospital, sem necessidade de deslocamento.

Atualmente, a prescrição de terapia com células CAR-T no Brasil dá início a uma corrida contra o tempo. A bolsa com o concentrado de células do paciente tem de embarcar para unidades de manufatura nos Estados Unidos ou na Europa, em um processo complexo e, principalmente, demorado. “Em termos práticos, estamos falando de algo entre quatro e seis semanas, chegando, no máximo, a oito semanas", explica o Dr. Renato Cunha, hematologista e líder nacional de terapia celular da Oncoclínicas. "Esse seria o intervalo esperado na ausência de entraves administrativos e jurídicos."

Mas esses entraves são a regra, não a exceção. A maioria dos pacientes precisa recorrer à justiça para ter o tratamento coberto pelos planos de saúde. “Na prática, o intervalo que temos observado na rotina clínica é de quatro a seis meses, o que impacta diretamente o quadro do paciente", afirma o Dr. Renato. “Avaliamos não apenas se o paciente é elegível, mas se ele tem condições clínicas de esperar. Trabalhamos sempre considerando o pior cenário."

O estudo CARTHIAE busca acabar com esse transtorno logístico. "O projeto brasileiro de CAR-T não nasceu como um exercício teórico, mas como uma resposta direta ao problema de acesso em países de renda média", afirma o Dr. Nelson Hamerschlak, hematologista no Einstein Hospital Israelita e pesquisador principal do estudo.
CAR-T no Einstein

A solução técnica foi produzir as células CAR-T no local de atendimento. O processo de fabricação no CARTHIAE utiliza o sistema automatizado CliniMACS Prodigy, da Miltenyi Biotec. Nesse processo, as células T do paciente são coletadas por aférese e transduzidas com vetor lentiviral que codifica um CAR de segunda geração: scFv anti-CD19 (reconhecimento), dobradiça CD8 (flexibilidade espacial), domínio transmembrana de TNFRSF19 (ancoragem) e sinalização intracelular via 4-1BB e CD3ζ. A arquitetura do sistema é similar à dos produtos comerciais aprovados, favorecendo expansão gradual e persistência a longo prazo.

Durante 12 dias, as células são expandidas, lavadas e preparadas para infusão sob condições controladas. Controles de qualidade garantem viabilidade, esterilidade e potência do produto final. Todo o processo ocorre dentro do hospital, eliminando variáveis ligadas a transporte internacional, mudanças de temperatura e modificações de coordenação entre diferentes sistemas regulatórios. 

O resultado foi um tempo mediano entre coleta de células e infusão de 22,3 dias (±7,9 dias), cerca de três semanas. Menos da metade do tempo mais curto no modelo internacional.

Ao todo, 18 pacientes passaram pela triagem; sete foram excluídos por ausência de doença ativa (n = 4), infecção ativa (n = 1), comorbidade que contraindicava o protocolo (n = 1) ou tratamento pendente (n = 1). Por fim, 11 pacientes receberam infusão de CAR-T.

Eles tinham idade mediana de 42 anos (variação de 9 a 69 anos), todos com doença refratária ou em recidiva após mediana de quatro linhas de tratamento. Entre os participantes, havia quatro casos de leucemia linfoblástica aguda (LLA), dois de leucemia linfocítica crônica (LLC) e cinco de linfoma não Hodgkin (LNH). Mais da metade (54,5%) tinha score CAR-HEMATOTOX ≥ 2, indicador de maior risco de toxicidade hematológica grave. 

A manufatura foi bem-sucedida em 100% dos casos. Parte das infusões utilizou produto fresco (36%) e parte, produto criopreservado (63%), demonstrando flexibilidade operacional. O protocolo seguiu o padrão internacional: linfodepleção com fludarabina (25 mg/m²/dia por três dias) e ciclofosfamida (60 mg/kg) um dia antes da infusão.

Os desfechos clínicos foram expressivos para um estudo de fase 1. A taxa de resposta global alcançou 81% (intervalo de confiança [IC] de 95% de 48,2 a 97,7). Houve remissão completa em 72% dos casos (IC 95% de 39,0 a 93,9).

No acompanhamento mediano de 11 meses, 7 de 11 pacientes permaneciam vivos e livres de progressão — quatro com LLA, um com LLC, dois com LNH. A sobrevida livre de progressão foi de 71% (IC 95% de 35,0 a 89,9) e a sobrevida global, de 80% (IC 95% de 42,4 a 94,8), com mediana ainda não alcançada.

Entre os desfechos desfavoráveis, dois pacientes com LNH foram a óbito — um por progressão precoce da doença (a partir do 115o dia) e outro por sepse por Acinetobacter baumannii (a partir do 10o dia), o que impediu avaliação de resposta. Um paciente com LNH apresentou recidiva após remissão completa inicial (um ano pós-infusão) e um com LLC teve recidiva após resposta parcial, mas permanecia vivo a partir do 164o dia.
Protocolo

"Os desfechos observados no CARTHIAE não devem ser atribuídos a um único componente do produto, mas ao conjunto do cuidado envolvido na terapia celular", ressalta o Dr. Nelson. "O resultado final é a soma de várias decisões."

O hematologista destaca três fatores determinantes para o tratamento bem-sucedido: seleção criteriosa de pacientes com condição clínica preservada, confiabilidade do processo de manufatura e experiência prévia do hospital em transplante e terapia celular. "A [terapia com células] CAR-T não funciona isoladamente. Ela depende da janela clínica adequada, do suporte intensivo e de uma equipe preparada para lidar com as complicações esperadas."

As toxicidades esperadas apareceram com frequências compatíveis com as observadas na literatura internacional. Síndrome de liberação de citocinas ocorreu em 90% dos pacientes, sendo de grau 3 em 9% dos casos. Neurotoxicidade associada às terapias com células imunes afetou 45%, com graus 3 a 4 em 27%. Segundo os dados do estudo, todos os eventos foram reversíveis, mas exigiram manejo intensivo.

Infecções aconteceram em 72% dos casos — metade com reativação de citomegalovírus e a outra metade com pneumonia bacteriana. A necessidade de transfusão foi substancial: 90,9% precisaram de hemácias e plaquetas, e 54,5% deles ainda demandavam suporte transfusional para além do 30o dia. Curiosamente, o score CAR-HEMATOTOX alto (≥ 2) não se associou a maior necessidade transfusional.

A análise de expansão das células CAR-T por citometria de fluxo mostrou padrões distintos por doença: o pico de expansão em LNH ocorreu entre o 10o e o 14o dias (média de 34,4% de células CAR+ no compartimento CD3+), em LLA entre o 7o e o 10o dias (61,9%), e em LLC no 21o dia (19,1%). As células CAR-T permaneceram detectáveis para além do 360o dia.

Durante a expansão máxima, células T de memória central predominaram (médias de 70%, 68%, 71% e 63,7% nos 7o, 10o, 14o e 21o dias, respectivamente), seguidas por células T de memória efetora (23,1%, 21,4%, 19,6% e 14,1%, respectivamente). Esse perfil de memória central é considerado favorável para persistência e eficácia a longo prazo.

"O Brasil já acumulou experiência no manejo de toxicidades, como síndrome de liberação de citocinas, citopenias e infecções", avalia Dr. Renato. "O gargalo que hoje pesa de forma decisiva não é técnico. É o tempo de espera."
Ecossistema em formação 

A produção de células CAR-T em ambiente hospitalar não é invenção brasileira. Centros acadêmicos nos EUA e na Europa exploram modelos de fabricação local há alguns anos, especialmente em estudos iniciais. No Brasil, porém, essa estratégia surge menos como escolha tecnológica e mais como resposta direta a barreiras de acesso — alto custo e longo tempo de espera —, impostas pelos produtos comerciais importados.

Hoje, não existe uma rede nacional formal de produção hospitalar de CAR-T. O que vem se formando é um ecossistema colaborativo em que diferentes instituições públicas e acadêmicas avançam em frentes complementares, conectadas por projetos de pesquisa, cooperação técnica e financiamento público.

O Dr. Nelson descreve esse processo como um "efeito multiplicador”. Atualmente, esse conjunto inclui plataformas como a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP-USP), o Instituto Butantan, o projeto Mandacaru da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o eixo Fiocruz/INCA. Há iniciativas em diferentes estágios de maturidade, que vão do desenvolvimento tecnológico e regulatório inicial a estudos clínicos em andamento.

"Eu diria que é um marco, com fabricação local e sob regulação da Anvisa", afirma Dr. Nelson. "A novidade não está apenas no produto em si, mas no fato de que a experiência demonstra, pela primeira vez em um estudo clínico aprovado no Brasil, que é possível integrar pesquisa, regulação, manufatura e cuidado assistencial em um único sistema."
Decisão necessária 

O programa foi estruturado com apoio do PROADI-SUS e financiamento do Ministério da Saúde, passando por validações técnicas e aprovação da Anvisa. Para o Dr. Renato, o debate agora é menos científico e mais institucional. O país já demonstrou capacidade técnica para produzir e manejar células CAR-T em ambiente hospitalar. O passo seguinte é decidir se essa experiência permanecerá restrita a projetos pontuais ou será incorporada como política estruturada.

Existem, em tese, dois caminhos possíveis. O primeiro seria assumir a produção hospitalar como política pública permanente, com financiamento governamental estável, à semelhança do que fazem alguns países europeus. Isso significaria que o SUS — ou programas como PROADI-SUS — manteria recursos contínuos para fabricação, não apenas para pesquisa inicial.

O segundo seria transformar o modelo em produto comercial. Isso exigiria concluir estudos clínicos completos (fases 2 e 3), obter registro sanitário na Anvisa, passar pela definição de preço na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e, só então, viabilizar a comercialização no país.

Nenhum caminho é simples. O Dr. Renato aponta a questão central: "Hoje, praticamente todos os projetos descentralizados estão apoiados em recursos de pesquisa, que são finitos. A pergunta que precisa ser respondida é: quando esses projetos chegarem ao mercado, como esse modelo vai se sustentar?".

O modelo industrial centralizado, embora caro, tem sustentabilidade clara. Empresas como Novartis, Kite, Bristol Myers Squibb e Johnson & Johnson produzem células CAR-T em escala industrial, com produtos aprovados por agências regulatórias internacionais. No Brasil, eles custam entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por paciente. É um sistema funcional, sustentado por lógica comercial que garante cadeia produtiva, infraestrutura, controle de qualidade e reinvestimento contínuo.

Já os modelos de produção hospitalar operam sob outra lógica. "Não são modelos comerciais. Eles funcionam com apoio institucional e, muitas vezes, governamental", explica Dr. Renato. Mesmo quando bem-sucedidas, essas iniciativas dependem de financiamento público ou de linhas específicas, como PROADI-SUS e PRONON, não de recursos próprios dos hospitais.

O estudo CARTHIAE demonstrou três coisas fundamentais: a produção local é tecnicamente viável, reduz drasticamente o tempo de espera (de quatro a oito semanas para três semanas), e gera resultados clínicos comparáveis aos internacionais. Agora, não se trata de escolher a tecnologia mais sofisticada, mas a estrutura mais viável para garantir acesso contínuo no país.

Daniela Barros é jornalista, com pós-graduação lato sensu em jornalismo social pela PUC-SP e aluna especial no Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Escreve sobre medicina há 23 anos, colaborando com diversas publicações direcionadas ao tema. 

Créditos

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Tecnologias aplicadas à saúde podem antecipar riscos, mas só reduzem desigualdades se chegar a quem mais precisa, alerta especialista do IEEE




Maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade aponta que monitoramento remoto e telemedicina só geram impacto real quando saem do piloto e chegam aos territórios mais vulneráveis

Janeiro, 2026 – O avanço acelerado das tecnologias digitais aplicadas à saúde tem ampliado as possibilidades de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento de pacientes em diferentes contextos. Ainda assim, quando essas soluções não são pensadas para funcionar na realidade de comunidades em situação de vulnerabilidade, o impacto tende a ser limitado — ou, em alguns casos, pode até aprofundar desigualdades já existentes. Esse é o alerta de Suélia Fleury Rosa, membro sênior do IEEE, maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade.

Desigualdades sociais, econômicas e territoriais seguem influenciando diretamente os resultados em saúde e o acesso a serviços de prevenção e cuidado. Em muitos territórios, o diagnóstico tardio ainda é a regra, especialmente no caso de doenças crônicas e condições evitáveis, que poderiam ser tratadas de forma mais eficaz se identificadas precocemente. Esse cenário, amplamente reconhecido por organismos internacionais e estudos como o Relatório Mundial sobre Determinantes Sociais da Equidade em Saúde, publicado pela OMS em 2025, tem impulsionado a busca por soluções tecnológicas capazes de antecipar riscos, apoiar a atenção primária e reduzir lacunas históricas de acesso.

Segundo Suélia, tecnologias como telemedicina, monitoramento remoto e sistemas digitais de apoio à decisão clínica vêm contribuindo para uma mudança gradual no modelo de cuidado, que deixa de ser predominantemente reativo para priorizar a prevenção. “Ao permitir triagens digitais, acompanhamento à distância e melhor organização dos fluxos de atendimento, essas soluções ajudam equipes de saúde a agir de forma mais antecipada, priorizar casos de maior risco e oferecer cuidados fora do consultório tradicional. Na prática, isso contribui para reduzir atrasos no diagnóstico, evitar agravamentos evitáveis e aliviar a sobrecarga dos sistemas de saúde, especialmente em regiões com poucos recursos”, explica.

Apesar desse potencial, a especialista ressalta que um dos principais entraves está na dificuldade de transformar iniciativas tecnológicas em soluções duradouras. “Muitas experiências permanecem restritas a projetos-piloto ou aplicações pontuais, sem integração aos sistemas locais de saúde ou continuidade no longo prazo. Quando isso ocorre, o potencial transformador da tecnologia se perde antes de chegar a quem mais precisa”, detalha.

Garantir que essas soluções gerem impacto real exige mais do que desenvolvimento técnico. Infraestrutura adequada, capacitação das equipes, planejamento de longo prazo e envolvimento das comunidades desde as fases iniciais são fatores decisivos para que a inovação contribua efetivamente para a redução das desigualdades em saúde. “A tecnologia só cumpre seu papel social quando é desenhada para incluir, e não para excluir. Se ela não chegar a quem mais precisa, corre o risco de ampliar desigualdades em vez de reduzi-las”, afirma Suélia.

O desafio, portanto, não está apenas em criar novas ferramentas, mas em assegurar que elas sejam confiáveis, sustentáveis e adaptáveis às diferentes realidades territoriais. Muitas iniciativas não avançam além do estágio experimental por não atenderem às necessidades reais das comunidades, enfrentarem limitações de infraestrutura ou não contarem com evidências suficientes que sustentem sua adoção em escala. “Sem planejamento e compromisso de longo prazo, a tecnologia corre o risco de se tornar apenas uma boa ideia”, destaca.

Nesse contexto, o IEEE atua como um articulador entre conhecimento técnico, desenvolvimento tecnológico e demandas reais da sociedade, promovendo o uso responsável da tecnologia em áreas como saúde, educação e bem-estar social. A organização reúne engenheiros, pesquisadores e educadores de diversos países com o objetivo de transformar inovação em soluções práticas, escaláveis e orientadas ao impacto humano. “A inovação em saúde só faz sentido quando consegue melhorar a vida das pessoas de forma concreta. Antecipar riscos é fundamental, mas reduzir desigualdades exige compromisso, continuidade e presença nos territórios”, conclui Suélia.

Sobre o IEEE
O IEEE é a maior organização profissional técnica do mundo e uma instituição beneficente pública dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. Com suas publicações altamente citadas, conferências, padrões tecnológicos e atividades profissionais e educacionais, o IEEE é uma voz confiável em uma ampla gama de áreas, que vão desde sistemas aeroespaciais, computadores e telecomunicações até engenharia biomédica, energia elétrica e eletrônicos de consumo. Saiba mais em https://www.ieee.org.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Carta aberta à comunidade acadêmica do Curso de Medicina de Sobral da UFC do Prof. Paulo Roberto Lacerda Leal sobre o Enamed 2025

 

Prezados professores, estudantes e técnicos administrativos,

O Curso de Medicina do Campus da UFC em Sobral recebeu com satisfação o resultado obtido no Enamed 2025, com o enquadramento no conceito 4. Esse resultado, somado ao conceito máximo na visita de reconhecimento do MEC (nota 5) e à acreditação ao Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (SAEME-CRM), representa um reconhecimento importante da qualidade do trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos. 

A nível nacional, dos 351 cursos avaliados, 49 obtiveram conceito 5 e 114 ficaram com o conceito 4, representando 46% do total, em sua ampla maioria foram cursos de instituições públicas. No Ceará, 3 cursos obtiveram conceito 5, 3 com conceito 4, 2 com conceito 3 e 1 com conceito 2.

Essa qualificação obtida no ENAMED 2025 evidencia que as estratégias adotadas pelo curso têm logrado êxito, especialmente no que diz respeito ao ensino integrado ao sistema de saúde, ao uso de metodologias ativas de aprendizagem e à valorização das práticas clínicas precoces, presentes desde o primeiro semestre da graduação. Trata-se de um projeto pedagógico consistente, alinhado às diretrizes contemporâneas da formação médica e comprometido com a excelência acadêmica e responsabilidade social.
 

Gostaríamos de parabenizar, de forma especial, o corpo docente, qualificado e dedicado à formação médica de qualidade, bem como aos  servidores técnico-administrativos, cujo trabalho cotidiano é essencial para o funcionamento de um curso complexo como o de Medicina e para a criação de um ambiente acadêmico propício ao ensino, à pesquisa e à extensão.

Nosso reconhecimento maior, entretanto, é direcionado aos estudantes, que ao longo de uma trajetória exigente e desafiadora não mediram esforços para construir um conhecimento sólido, ético e comprometido com as necessidades da sociedade. Eles são, sem dúvida, os grandes protagonistas e merecedores desse resultado.

Cabe registrar, de forma construtiva, que o Inep poderia ter adotado maior transparência na condução do processo avaliativo, bem como maior assertividade na metodologia utilizada para o enquadramento dos cursos em faixas, especialmente no que se refere ao uso de percentuais de proficiência mínima. 

Por fim, reafirmamos nosso compromisso com a melhoria contínua, independente de critérios que sejam utilizados para mensurar a qualidade. Para avançarmos mais ainda nossa qualificação, tornam-se indispensáveis a construção de um Centro de Simulação Realística e a implantação de um Hospital Universitário próprio, estruturas estratégicas que certamente potencializarão ainda mais a formação médica, o cuidado em saúde e a produção de conhecimento na região.

Cordialmente,
Paulo Roberto Lacerda Leal
Coordenador Medicina UFC Sobral

O que é Vaginose Bacteriana? - (Drª Carla Macedo - Ginecologia e Saúde da Mulher)


A vaginose bacteriana é ocasionada pela diminuição dos lactobacilos presentes na nossa flora vaginal e pelo aumento de outras bactérias responsáveis pela infecção, com isso levando ao desequilíbrio da microbiota vaginal. Os sintomas costumam estar relacionados a corrimento branco acinzentado ou amarelado com odor desagradável.

A vaginose bacteriana é bastante comum! Alguns hábitos podem predispor a aumento de sua ocorrência, como frequência sexual, uso de duchas vaginais, asseio inadequado e excesso de roupas sintéticas e apertadas. Além disso, a microbiota vaginal pode ser influenciada por alteração na imunidade devido a situações como estresse, alimentação inadequada e ansiedade.


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- Quem é a Drª. Carla Macedo?

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2007) e residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a Santa Casa de Sobral (2011). Concluiu Mestrado acadêmico em Saúde da Família pela UFC (2013) na linha de pesquisa de Educação Permanente. Atualmente atuando no corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará na disciplina de Ginecologia e Obstetrícia como Profª Doutora em Ciências Cirúrgicas pela UFC. 

Ebserh inscreve para seleção de Médicos até 30 de janeiro

 

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) segue com inscrições abertas, até o dia 30 de janeiro, para um concurso público que oferta 152 vagas. As oportunidades são destinadas ao cargo de médico, em diferentes especialidades, além da formação de cadastro de reserva.

Os profissionais aprovados irão atuar nos hospitais universitários federais administrados pela estatal em todo o Brasil, incluindo unidades localizadas no Ceará.

A remuneração inicial varia entre R$ 11.464,35 e R$ 19.107,31, conforme a carga horária prevista no edital, que pode ser de 24 ou 40 horas semanais.

  • Clique AQUI e leia o edital

Fonte: https://sobralemrevista.com.br 

Nem proselitismo nem negligência: o papel da espiritualidade na medicina

 


Daniela Barros

A espiritualidade sempre esteve presente no consultório médico, seja nas palavras do paciente ou nas decisões de fim de vida. Não falta vivência clínica nessa área, mas ainda são escassas as orientações sobre como escutar o paciente, abordar o assunto e, sobretudo, entender quais são os limites éticos. Nos últimos anos, o tema deixou de ser um dilema individual dos médicos e virou pauta institucional.

Um marco foi a criação da Comissão de Saúde e Espiritualidade pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em março de 2025, uma iniciativa pioneira que reconhece a espiritualidade como parte da prática clínica, especialmente em contextos de sofrimento, doenças crônicas e saúde mental.

O Medscape conversou com um dos integrantes da comissão, o psiquiatra Dr. Alexander Moreira-Almeida. Ele é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e contribuiu com extensa produção científica sobre a interface entre espiritualidade e saúde, além de ser coautor de diretrizes clínicas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para integração da espiritualidade no cuidado da saúde mental e participante da força-tarefa da 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na conversa, o Dr. Alexander abordou desde o diagnóstico diferencial entre transtorno mental e experiência espiritual até pesquisas com médiuns e estudos sobre consciência além do cérebro — e explicou por que o Brasil virou referência mundial nessa área.

Medscape: Em que momento da sua formação ou da sua atuação o senhor percebeu que espiritualidade e medicina eram temas com que a psiquiatria não estava sabendo lidar?

Dr. Alexander: Isso aconteceu ainda na faculdade. Meu primeiro estudo sobre a relação entre espiritualidade e medicina é de 1995, quando eu estava na metade do curso de medicina. Já naquele momento comecei a perceber uma carência importante: a espiritualidade tinha um papel relevante para muitas pessoas, mas era frequentemente ignorada no ambiente científico, nos estudos da área da saúde e na própria formação médica.

Naquela época, passei a me interessar pelos poucos artigos que existiam sobre essa interface. Também comecei a ler trabalhos de professores de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), especialmente dos professores Dr. Jorge Amaro e Dr. Francisco Lotufo Neto, que publicaram, em meados dos anos 1990, alguns artigos abordando esse tema na Revista de Psiquiatria Clínica da USP.

Isso me chamou a atenção porque ficou claro que havia, sim, uma literatura científica sobre espiritualidade e saúde, mas que esse assunto simplesmente não era discutido durante a graduação. Ou seja, era uma dimensão inexistente na formação médica universitária.

Eram os pacientes que traziam essa questão da espiritualidade e da fé durante as consultas?

Dr. Alexander: Sim, o tema aparecia e aparece até hoje. Ao colher a história clínica, é muito comum que os pacientes utilizem termos religiosos ou espirituais para falar de suas experiências. Há relatos, por exemplo, de pessoas que dizem não ter tirado a própria vida por causa da fé, por acreditarem que apenas Deus pode tirar a vida, ou que afirmam que Deus lhes dará força para enfrentar determinada situação.

Isso é algo bastante frequente na prática e surge em todas as especialidades; os pacientes trazem essas referências espontaneamente ou quando encontram espaço para fazê-lo.

Ao mesmo tempo, muitos têm receio de falar sobre espiritualidade, com medo da reação do profissional de saúde, seja o médico ou o psicólogo. Há o temor de que esse aspecto da vida seja desqualificado, negado ou tratado de forma inadequada. Por isso, muitos acabam não abordando o tema espontaneamente.

Quando o profissional abre espaço e pergunta — justamente o que recomendamos —, ao questionar se a pessoa tem alguma espiritualidade ou participa de algum grupo religioso ou espiritual, mesmo dentro de uma anamnese com questões sobre família, trabalho e rotina, a imensa maioria passa a falar disso de forma mais clara.

Esse fenômeno se repete em todas as áreas da medicina, especialmente em contextos de maior sofrimento, como na oncologia, nas doenças crônicas ou em situações que ameaçam a vida. Não por acaso, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade já mantém uma comissão de estudos sobre espiritualidade, reconhecendo tanto a frequência desse tema na prática clínica quanto o papel que o envolvimento com crenças, comunidades e grupos religiosos pode ter no enfrentamento dos problemas de saúde.

Houve resistência, desconfiança ou estigmatização dessa linha de pesquisa dentro da medicina?

Dr. Alexander: Sim, houve. Muitas vezes esse tema era visto como algo que não deveria ser abordado. Ao mesmo tempo que algumas pessoas apoiavam e reconheciam a importância de estudá-lo, outras afirmavam que essa linha de pesquisa não poderia ser tratada de forma científica, classificando-a como uma negação da ciência ou um retorno ao misticismo.

Isso aconteceu ao longo de décadas. Já são cerca de 30 anos de trabalho nessa área. Hoje, esse tipo de resistência diminuiu bastante. Ainda existem pessoas que acusam esse campo de ser pseudociência ou negacionismo científico, mas elas representam uma parcela muito menor do que no passado.

O que chama a atenção é que, dentro do ambiente científico de alto nível, essas resistências sempre foram menores do que entre pessoas que dizem falar em nome da ciência, como alguns divulgadores. Nas universidades, nos órgãos de fomento, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e nas revistas científicas, sempre houve uma abertura maior para esse tipo de pesquisa.

Como é a sua pesquisa hoje? O que vem sendo avaliado e observado?

Dr. Alexander: Atualmente, trabalhamos com três linhas fundamentais de pesquisa. A primeira é de caráter histórico e filosófico e se dedica a analisar o desenvolvimento das pesquisas científicas em espiritualidade ao longo do tempo. Isso porque existe uma ideia bastante difundida — e equivocada — de que sempre houve um conflito entre ciência e religião, entre fé e razão. Hoje, nenhum historiador relevante da ciência sustenta essa visão.

Nessa linha, investigamos como o estudo da espiritualidade foi construído historicamente e destacamos pesquisadores importantes da filosofia, da psicologia e da medicina que se dedicaram a esse tema nos últimos 100 anos. Entre eles estão Carl Jung e Viktor Frankl, ambos psiquiatras, e o médico William James, considerado o pai da psicologia científica em Harvard. São autores que estudaram a espiritualidade de forma não dogmática, muitas vezes questionando uma visão estritamente materialista que reduz o ser humano apenas ao biológico ou ao social.

A segunda linha, que é a mais comum na literatura científica, investiga o impacto da espiritualidade sobre a saúde. Exemplo disso é um estudo que realizamos em parceria com a USP, envolvendo mais de 10 mil estudantes universitários de todo o Brasil, no qual observamos que aqueles com maior envolvimento religioso tinham duas vezes menos chance de ter usado drogas lícitas ou ilícitas no mês anterior.

Outro trabalho foi conduzido com pacientes com transtorno bipolar, no serviço de psiquiatria da UFJF. Foram quase 160 pacientes acompanhados por dois anos, e identificamos que aqueles com maior envolvimento religioso e espiritual apresentavam três a quatro vezes menos chance de depressão e melhor qualidade de vida. Ao mesmo tempo, também observamos usos negativos da espiritualidade, como quando o paciente nega o tratamento médico por acreditar que será curado apenas por intervenção divina.

A terceira linha de pesquisa, na qual o Brasil se tornou uma referência mundial, é o estudo das experiências espirituais em si. Entram aqui experiências de quase morte, experiências de saída do corpo, vivências de final de vida, experiências mediúnicas e relatos de supostas memórias de vidas passadas.

Orientamos, por exemplo, uma pesquisa de doutorado que analisou mais de 200 casos de experiência de quase morte no Brasil. Observamos que a imensa maioria não tinha conhecimento prévio sobre esse tipo de experiência. Apenas uma pessoa não tinha certeza de que a experiência fosse real do ponto de vista espiritual. Para a maioria, foi uma das experiências mais importantes da vida, com grande impacto existencial.

Também investigamos experiências mediúnicas, com foco no diagnóstico diferencial entre uma experiência espiritual saudável e um transtorno mental. Estudamos o impacto dessas experiências no cérebro e na genética. Um exemplo recente é o estudo sobre o exoma de médiuns, liderado pelo professor Dr. Wagner Gattaz, da USP, que teve grande repercussão e foi publicado no Brazilian Journal of Psychiatry, acumulando mais de 40 mil downloads.

O senhor comentou sobre o estudo do exoma de médiuns. Podemos dizer que há algo que não é explicado apenas pela ciência?

Dr. Alexander: Essa é uma boa pergunta. O primeiro ponto importante é esclarecer que nós não trabalhamos com a ideia de “sobrenatural”, que pressupõe algo fora das leis da natureza. O que defendemos é o conceito de naturalismo expandido: a noção de que a natureza não é composta apenas de matéria e que a consciência faz parte dela, embora não seja material.

Nesse sentido, a consciência, ou a mente, seria um elemento natural, mas não redutível à matéria. Esse é um ponto central da nossa abordagem, compartilhado por nós e por outros pesquisadores que trabalham nessa interface.

O que propomos é que explicações puramente materiais — biológicas, psicológicas ou sociais — são fundamentais e ajudam a compreender muitos aspectos dessas experiências, mas não dão conta de explicar o conjunto dos dados observados. Há uma série de achados ligados às experiências espirituais que não se encaixam apenas nesses modelos explicativos.

Esses dados sugerem uma realidade ontológica dessas experiências, isto é, a possibilidade de que a consciência possa existir fora do corpo ou sobreviver à morte. Evidentemente, trata-se de um tema em debate, mas esse debate tem sido conduzido de forma rigorosa por diversos grupos de pesquisa, inclusive no livro que publicamos recentemente pela Springer Nature, que revisa a literatura científica sobre evidências de vida após a morte. Foi a primeira vez que uma grande editora científica lançou uma obra dedicada exclusivamente a esse tema, que já foi traduzida para o alemão, o português e o espanhol.

No Brasil, temos exercido uma liderança importante nesse campo. Em 2025, editamos, pela primeira vez em uma revista científica internacional de psiquiatria, um número especial dedicado à possibilidade de haver mente além do cérebro. Essa edição especial foi publicada na International Review of Psychiatry, a convite do Dr. Dilip Jeste, ex-presidente da World Psychiatric Association, e reuniu pesquisas científicas sobre experiências espirituais e o quanto elas sugerem algo além de uma explicação puramente material.

Como o país se posiciona no cenário da pesquisa em espiritualidade?

Dr. Alexander: O Brasil hoje ocupa a quinta posição no mundo em número de publicações científicas internacionais na área de espiritualidade e saúde. Esse é um dado bastante relevante, especialmente porque, na produção científica global, o país costuma ter uma colocação mais modesta em outros campos. Nessa área específica, porém, estamos entre os cinco que mais publicam. À nossa frente estão países como os Estados Unidos, que lideram a produção científica de modo geral, e a Inglaterra, que também tem uma produção expressiva nesse tema.

Além do volume de pesquisas, há uma liderança institucional clara. Na World Psychiatric Association, por exemplo, atuei como coordenador da seção de espiritualidade, e atualmente o vice-coordenador é um brasileiro, o Dr. Bruno Mosqueiro.

Estamos organizando, em parceria com colegas brasileiros e de outros países, o 6o Global Summit on Spirituality & Mental Health, que será realizado em Boston, nos EUA. Sou co-coordenador da comissão científica, e outros pesquisadores brasileiros também participam ativamente da organização.

Há ainda outras lideranças importantes no país, como o cardiologista Dr. Álvaro Avezum, que atua nessa interface, e o Dr. Giancarlo Lucchetti, que provavelmente é o pesquisador que mais publica no mundo sobre educação médica e espiritualidade. Além disso, a International Association for the Psychology of Religion é atualmente presidida por uma brasileira, a professora Dra. Marta Helena de Freitas, da Universidade Católica de Brasília. Em conjunto, esses elementos mostram que o Brasil tem contribuído de forma significativa e assumido uma posição de liderança nesse campo.

Como foram desenvolvidas as diretrizes brasileiras sobre espiritualidade na prática clínica em saúde mental e qual é sua aplicação hoje? Elas se restringem à psiquiatria?

Dr. Alexander: Essas diretrizes foram desenvolvidas a pedido da ABP, a partir de uma revisão da literatura científica sobre a aplicação prática da espiritualidade no cuidado em saúde mental. Embora o documento tenha sido elaborado especificamente para a psiquiatria, parte de seus princípios se aplica a outras áreas da saúde.

As diretrizes se organizam em dois grandes eixos: o primeiro é a incorporação da dimensão espiritual do paciente à avaliação clínica, e o segundo é o diagnóstico diferencial entre transtornos mentais e experiências espirituais consideradas saudáveis.

No que diz respeito à história espiritual, recomenda-se que o profissional faça perguntas básicas, como se o paciente tem alguma religião ou espiritualidade, qual a importância disso em sua vida, se participa de algum grupo religioso ou espiritual e, principalmente, de que forma acredita que essa dimensão pode ajudá-lo a lidar com seus problemas e com o adoecimento.

Esse componente das diretrizes, a história espiritual, é aplicável praticamente a qualquer profissional de saúde. Não por acaso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), por exemplo, já publicou diretrizes de prevenção cardiovascular que incluem recomendações semelhantes sobre a coleta dessas informações, e outras sociedades médicas vêm produzindo orientações na mesma linha.

Além disso, publicamos um artigo de revisão sobre ensaios clínicos controlados que investigaram a integração da espiritualidade na psicoterapia. Esses estudos mostram que a integração pode ser eficaz, desde que seja feita de forma centrada no paciente, respeitando suas crenças, seus valores e seu contexto cultural.

Em nenhum momento cabe ao profissional impor crenças ou práticas. O objetivo é identificar, dentro da vida do paciente, recursos que possam ajudá-lo, como práticas espirituais, apoio comunitário, sentido de vida e propósito, sempre a partir do repertório e das escolhas do paciente.

Como funciona o diagnóstico diferencial entre uma experiência espiritual saudável e um transtorno mental?

Dr. Alexander: Um exemplo clássico é quando a pessoa relata ouvir a voz do Espírito Santo. Dependendo do contexto, isso pode ser uma alucinação psicótica ou uma experiência espiritual legítima. A distinção não é feita a partir de critérios absolutos, mas da avaliação do conjunto clínico.

Em um quadro de mania psicótica, por exemplo, o paciente costuma apresentar um conjunto de sinais e sintomas, como aceleração do discurso, diminuição da necessidade de sono, inquietação, impulsividade, além de euforia ou irritabilidade. Nesse caso, a vivência espiritual aparece inserida em um quadro sindrômico mais amplo.

Já em uma experiência espiritual considerada saudável, esses outros sinais não estão presentes. Avaliamos também se a experiência gera sofrimento ou, ao contrário, promove bem-estar, se é aceita pelo grupo religioso ou cultural do paciente e se ele mantém senso crítico e funcionamento global preservados.

Esses critérios vêm sendo construídos ao longo de décadas de pesquisa, inclusive desde o meu doutorado, concluído há cerca de 20 anos, que teve como foco justamente o desenvolvimento desse diagnóstico diferencial.

Os médicos estão preparados para lidar com essa abordagem na prática clínica?

Dr. Alexander: A maioria dos médicos reconhece a importância da espiritualidade, mas não se sente adequadamente treinada para lidar com o tema, algo que aparece de forma bastante consistente na literatura científica. Em geral, os profissionais sabem que essa dimensão é relevante, mas não tiveram contato com o assunto durante a graduação ou a residência.

Esse cenário, no entanto, vem mudando. Hoje, congressos de psiquiatria, cardiologia, oncologia e de diversas outras especialidades praticamente sempre incluem mesas, cursos ou simpósios dedicados à área de espiritualidade e saúde.

Além disso, há uma oferta crescente de treinamentos online, lives, cursos de pós-graduação e uma inclusão progressiva do tema nos currículos das faculdades e das residências médicas. O desafio agora é formar os novos profissionais já com esse conhecimento e, ao mesmo tempo, atualizar aqueles que já estão em atividade.

Onde estão hoje os principais riscos dessa incorporação da espiritualidade na prática médica? O que definitivamente não pode acontecer no consultório?

Dr. Alexander: Existem dois riscos principais. O primeiro é simplesmente não abordar um tema que é altamente prevalente na população e que tem impacto direto na saúde. Ignorar a espiritualidade do paciente pode ser um problema clínico relevante.

O segundo risco é abordar esse tema de forma inadequada. Isso inclui práticas como o proselitismo religioso, a tentativa de converter o paciente ou, no extremo oposto, a desqualificação da espiritualidade, tratando-a de maneira patologizante, por exemplo, reduzindo-a a um suposto mecanismo de defesa imaturo.

A função da medicina é cuidar da saúde com base em evidências científicas e princípios éticos. Em nenhuma circunstância cabe ao profissional impor crenças pessoais ou prometer cura espiritual no contexto do atendimento clínico.

Depois de anos de pesquisa e atuação clínica, o debate chega às comissões das sociedades médicas e ao CFM. O que mudou para que esse tema deixasse o campo individual e passasse a exigir uma resposta institucional?

Dr. Alexander: Um ponto central é que o Brasil se tornou pioneiro também do ponto de vista institucional. Hoje, pelo que temos notícia, ao menos oito associações brasileiras de especialidade médica criaram comissões dedicadas à espiritualidade, algo que eu não vejo em nenhum outro país. Há comissões na Sociedade Brasileira de Pediatria, na ABP, na SBC, na reumatologia, na cirurgia oncológica, na medicina de família e comunidade e na Associação Brasileira de Ensino Médico, além de algumas iniciativas estaduais.

Esse movimento fez com que se reconhecesse, dentro do CFM, a necessidade de compreender o tema de forma mais aprofundada e de orientar os médicos com base em evidências científicas. Isso é especialmente relevante porque, como já comentamos, muitos profissionais não foram treinados para lidar com a espiritualidade na prática clínica.

A função do CFM é justamente orientar a boa prática médica. Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de criar uma comissão específica para tratar do tema de forma ética, técnica e baseada em evidências.

Como surgiu a Comissão de Saúde e Espiritualidade do CFM e quem participou dessa construção inicial?

Dr. Alexander: A criação da comissão foi uma iniciativa da Dra. Rosylane Rocha, vice-presidente do CFM. Para compor o grupo, ela buscou reunir profissionais que já ocupavam posições de liderança nessa interface entre espiritualidade e medicina, especialmente dentro das associações médicas nacionais.

Os trabalhos começaram no início de 2025 e, desde então, o grupo passou a se reunir regularmente. O primeiro passo foi divulgar o conhecimento científico já existente sobre o tema. Nesse período, foi realizado um webinar e um evento presencial.

Esses materiais estão disponíveis no site e no canal do YouTube do CFM. Inclusive, os vídeos figuram entre os mais assistidos do canal, o que indica o interesse significativo da classe médica por esse debate.

Qual é o objetivo prático da comissão do CFM? O que deve sair desse grupo para a prática médica?

Dr. Alexander: A proposta é avançar de forma progressiva. O primeiro passo é divulgar o que já existe de evidência científica sobre espiritualidade e saúde. O segundo é produzir diretrizes que orientem os médicos sobre como abordar esse tema de maneira ética, técnica e baseada em evidências.

Além disso, um dos objetivos centrais da comissão é estudar a própria prática médica no Brasil: compreender como os médicos vêm lidando com a espiritualidade no consultório, quais são as principais dificuldades, os receios e os avanços já observados.

Esse diagnóstico é fundamental para que as futuras diretrizes não sejam apenas teóricas, mas realmente aplicáveis à prática cotidiana e às diferentes realidades da assistência médica.

Essa movimentação institucional já se traduz de alguma forma na prática clínica? Há perspectiva de novas pesquisas envolvendo o CFM e o seu grupo de pesquisa?

Dr. Alexander: Sim, esse movimento já começa a se refletir na prática clínica. Os médicos têm abordado o tema da espiritualidade com mais frequência e, de modo geral, de forma mais adequada do que no passado. Há uma consciência maior sobre a relevância dessa dimensão e uma abertura crescente para escutar o paciente nesse aspecto.

Ainda assim, há muito a avançar, tanto em termos de formação quanto de produção científica. Nesse sentido, existe, sim, a perspectiva de novas pesquisas em parceria com o CFM. Eu faço parte da comissão, e a ideia é desenvolver estudos mais abrangentes, capazes de mapear dúvidas, limites e necessidades de formação.

Hoje, o país não é apenas um produtor relevante de pesquisa nessa área, mas também está buscando transformar esse conhecimento em orientação prática e regulatória para os médicos, algo que poucos sistemas médicos no mundo tentaram fazer de forma tão estruturada.

Daniela Barros é jornalista, com pós-graduação lato sensu em jornalismo social pela PUC-SP e aluna especial no Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Escreve sobre medicina há 23 anos, colaborando com diversas publicações direcionadas ao tema.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Todo tumor é câncer? - Dr. Diego Bezerra (Cirurgião Geral - Cirurgião Oncológico)

 


"Primeira informação que preciso que saibam é que tudo que cresce em nosso organismo pode ser representado pela denominação de tumor ou tumoração, ok?

Aí a partir do exame médico e complementares ocorre a investigação dessa região, é possível suspeitar se ele possui característica de uma neoplasia maligna (câncer ) ou não.

Os tumores (neoplasias) podem ser de dois tipos: benigna e maligna. A benigna indica que a doença é localizada, possui um crescimento organizado e não costuma se desenvolver rapidamente, como por exemplo: miomas e fibromas da mama. Quando é maligna a lesão tem crescimento acelerado e desordenado, com altas chances de se expandir do seu local de origem e atingir outros órgãos.

Se ficou alguma dúvida, deixe aqui nos comentários ou entre em contato que te explico mais!"

Consulte um Especialista

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Apenas três cursos de medicina do Ceará alcançaram nota cinco no ENAMED 2026

Google Imagens

O Enamed, versão do tradicional Enade especificamente direcionada aos estudantes de medicina, é aplicado anualmente pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

O exame funciona como um termômetro rigoroso da qualidade da formação dos futuros médicos no país.

O balanço detalhado da avaliação revela que 114 graduações obtiveram o conceito 4, enquanto um grupo seleto de 49 cursos atingiu o conceito 5, nota máxima que atesta a excelência absoluta das instituições no preparo de seus alunos.

Confira a listas da Universidades que alcançaram a nota máxima 5,0 (cinco) no ENAMED 2025. O curso de Medicina de Sobral da Universidade Federal do Ceará (UFC) alcançou a média 4,0 (quatro) considerada um nota muito boa.

Região Nordeste

Bahia (BA)

UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz)

UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia)

UFBA (Universidade Federal da Bahia)

UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco)

Ceará (CE)

UNICHRISTUS (Centro Universitário Christus)

UECE (Universidade Estadual do Ceará)

UFC (Universidade Federal do Ceará)

Pernambuco (PE)

UPE (Universidade de Pernambuco)

UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco)

Rio Grande do Norte (RN)

UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/

OAB da Medicina': entenda em 7 pontos o exame para médicos recém-formados aprovado em comissão do Senado

Nesta semana, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou o projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade de aprovação no Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed) para médicos recém-formados. O PL ainda precisa ser votado pelo Senado e pela Câmara de Deputados (entenda mais abaixo.)

Se aprovado, o exame vai representar uma etapa adicional para a obtenção do registro profissional para os graduandos de Medicina. A proposta está sendo chamada por muitos de "OAB da Medicina" por sua semelhança com a prova obrigatória para advogados.

Abaixo, entenda em 7 pontos o que propõe o PL e como a criação do ProfiMed mudará a formação médica no país.

1. O que é o ProfiMed?

O Exame Nacional de Proficiência em Medicina tem como objetivo verificar a qualidade da formação dos concluintes de graduação em Medicina e sua habilitação para a prática médica. A prova está prevista em um projeto de lei que tramita no Congresso. (Veja mais abaixo sobre a tramitação.)

A etapa será obrigatória para a obtenção do registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Ou seja, mesmo após concluir a graduação, o médico só poderá exercer legalmente a profissão se for aprovado na prova.

Alunos do curso de Medicina da Unoeste durante atividades práticas do internato, vivenciando a rotina real de atendimento sob supervisão docente — Foto: Ector Gervasoni

Alunos do curso de Medicina da Unoeste durante atividades práticas do internato, vivenciando a rotina real de atendimento sob supervisão docente — Foto: Ector Gervasoni

2. Como deve funcionar o ProfiMed?

O PL prevê que o exame seja coordenado e elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). A prova deve ser aplicada duas vezes por ano em todos os estados e no Distrito Federal.

O ProfiMed deverá avaliar competências profissionais e éticas, conhecimentos teóricos e habilidades clínicas, com base nos padrões mínimos exigidos para o exercício da profissão.

3. O que muda com o exame?

Atualmente, um médico recém-formado pode solicitar o CRM após a colação de grau e pode atuar profissionalmente a partir da emissão do documento.

Se aprovado, o ProfiMed vai adicionar uma etapa que antecede a emissão do documento, já que o profissional só terá direito ao registro profissional após ser aprovado no exame.

Já para profissionais que se formaram em instituições internacionais e precisam revalidar o diploma para atuar no Brasil, também será possível obter a revalidação do documento por meio do ProfiMed. A prova equivalerá às duas etapas do Revalida.

  • O que é o Revalida: o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira é a prova realizada por médicos formados fora do Brasil que querem exercer a profissão aqui no país. O exame tem duas etapas — a primeira é uma prova escrita (com questões objetivas e discursivas); e a segunda, prática, para testar as habilidades clínicas do médico — e é considerada difícil: na edição do 2º semestre de 2022, por exemplo, apenas 3,75% dos inscritos foram aprovados nas duas etapas e tiveram seus diplomas revalidados.

4. O que acontece com quem reprovar no exame?

O texto do PL prevê a criação da Inscrição de Egresso em Medicina (IEM), que permite ao recém-formado realizar atividades técnico-científicas enquanto não for aprovado no ProfiMed.

5. Quando o exame passará a ser aplicado?

O ProfiMed segue em discussão no Senado e, em seguida, na Câmara. Uma vez aprovado e sancionado, a iniciativa deve entrar em vigor em um ano.

6. O que diz o CFM

O Conselho Federal de Medicina diz que o exame é “fundamental para aprimorar a qualidade da formação médica no país.”

“A implementação do Exame Nacional de Proficiência representa um avanço estrutural para o país. Não se trata apenas de uma etapa avaliativa, mas de uma política pública que assegura que apenas profissionais realmente preparados recebam o registro para atuar. Isso protege a população e fortalece a fiscalização do exercício médico”, afirmou Alceu Pimentel, conselheiro federal suplente e coordenador-substituto da Comissão de Assuntos Políticos do CFM em reunião do grupo, em novembro.

Em abril, o CFM já havia defendido a criação do ProfiMed, argumentando que a avaliação do médico é fundamental para a segurança da população e, portanto, necessária para a concessão do registro profissional.

7. Tramitação do projeto

Na quarta-feira (3), o PL 2.294 de 2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado por 11 votos a 9. Ela ainda precisa passar por um turno suplementar de votação no colegiado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.


Fonte: https://g1.globo.com/