terça-feira, 5 de maio de 2026

Hábitos saudáveis, excesso de peso e câncer - Dr. Diego Bezerra (Cirurgião Geral - Cirurgião Oncológico)

 

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mostrou que o brasileiro dá muito valor a fatores de risco de origem genética e familiar e desconhece que são escolhas de todos os dias, como alimentação e atividade física, que mais pesam para evitar o câncer. O consumo excessivo de comida processada, álcool, sexo desprotegido e ausência de vacinas, por exemplo, são fatores de risco para vários tipos de câncer.
O excesso de peso sempre esteve entre os fatores de influência do câncer de mama, útero, intestino, esôfago e rim. Mas, de cinco, a lista de tipos de câncer relacionados à obesidade aumentou para treze! Somam-se agora: ovário, estômago, fígado, pâncreas, bexiga, tireoide, medula (mieloma) e cérebro (meningioma). Dietas pouco saudáveis aliadas a um estilo de vida sedentário que, no caso do excesso de peso, ainda envolvem um desequilíbrio em hormônios como estrogênio, testosterona e insulina, contribuem para que a obesidade seja uma das principais causas de mortes evitáveis, sendo associada a este alto número de tipos de câncer.
Consulte um Especialista


Nas redes sociais, siga o Dr. Diego Bezerra pelos canais do Facebook e Instagram @drdiegobezerra


Dr Diego Bezerra CRM 10362 - Cirurgião Oncológico. ⠀
Vesalius Centro Médico
(88) 36772311 ou WhatsApp (88) 98007000

Tecnologia de ponta na clínica Vesalius para a realização de ultrassonografia, punção biópsia de mama, tireoide e próstata.

Marcha nórdica ganha espaço na reabilitação de pacientes com câncer e tem respaldo de estudos internacionais





Técnica criada para o treinamento de esquiadores na Finlândia ganha projeção global ao se destacar como aliada da saúde, inclusive no apoio à recuperação de pacientes com câncer.

A marcha nórdica, também conhecida como caminhada com bastões, vem sendo incorporada a programas de reabilitação física por reunir baixo impacto, alta ativação muscular e benefícios comprovados por pesquisas recentes. Utilizando bastões específicos que impulsionam o movimento, a atividade promove o uso de até 90% da musculatura corporal, envolvendo braços, tronco e pernas de forma coordenada. O resultado é um exercício completo, seguro e acessível para diferentes idades e níveis de condicionamento físico.


Nos últimos anos, a prática passou a chamar atenção também na oncologia. Estudos internacionais, incluindo uma revisão sistemática publicada em 2025 com base em ensaios clínicos, apontam que a marcha nórdica é segura para pacientes com câncer, com alta taxa 
de adesão (superior a 90%) e sem registro de efeitos adversos graves. A pesquisa tambémidentificou melhora significativa da força muscular e aumento dos níveis de atividade física entre os participantes.Além disso, estudos conduzidos na Europa com mulheres após o tratamento de câncer de mama demonstraram avanços significativos na mobilidade dos membros superiores, nacapacidade funcional e na amplitude de movimento dos ombros após a prática de marcha nórdica, aspectos frequentemente comprometidos por intervenções como cirurgia, quimioterapia e radioterapia. mdpi.com

 
Benefícios que vão além do físico
 
A prática proporciona uma série de benefícios físicos e emocionais, incluindo o fortalecimento muscular global, com ênfase em braços e tronco, além da melhora da
postura, do equilíbrio e da coordenação motora. Também contribui para o aumento dacapacidade cardiorrespiratória e para a redução da fadiga oncológica, um dos sintomasmais recorrentes no pós-tratamento, favorecendo mais disposição e autonomia nas atividades do dia a dia.
 
Soma-se a isso o impacto positivo na saúde mental: por ser realizada ao ar livre e, muitas vezes, em grupo, a marcha nórdica auxilia na redução do estresse, melhora o humor e ajuda a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, aspectos especialmente relevantes ao longo do processo de recuperação.
 
Atividade adaptável e segura
 
A marcha nórdica também se destaca pela facilidade de adaptação. De acordo com a instrutora da modalidade Sueli Firmino, a intensidade, duração e técnica podem ser ajustadas conforme as condições físicas e o estágio de recuperação de cada pessoa, sempre com acompanhamento de profissionais de saúde.
 
“Mais do que uma atividade física, a marcha nórdica é um caminho para a recuperação, autonomia e qualidade de vida”, afirma Sueli .
 
Especialistas apontam que o uso dos bastões permite um aumento controlado do gasto energético, favorecendo a recuperação da resistência física sem sobrecarregar articulações, ator essencial para pacientes em processo de reabilitação.
 
Crescimento na área da saúde
 
Com o avanço das evidências científicas, a marcha nórdica vem sendo progressivamenteincorporada a programas de cinesioterapia e reabilitação oncológica em diferentes países, com estudos como o publicado na revista Cancers (2025) indicando que a prática é segura,viável e pode contribuir para o aumento da força muscular e dos níveis de atividade física em pacientes com câncer. Ainda assim, pesquisadores reforçam que deve ser adotada como estratégia complementar ao tratamento médico, e não como substituição. pmc.com
 
A tendência acompanha um movimento global que reforça o papel da atividade física como parte essencial do cuidado integral à saúde, contribuindo não apenas para a recuperação física, mas também para o bem-estar emocional e a qualidade de vida dos pacientes.
 
Sobre a marcha nórdica
 
Criada na Finlândia, a marcha nórdica é uma atividade física de baixo impacto que utiliza bastões para impulsionar o corpo durante a caminhada. Indicada para pessoas de todas as idades, promove fortalecimento muscular global, melhora da postura, equilíbrio e condicionamento físico, sendo hoje reconhecida como uma prática completa e com baixo custo para a promoção da saúde.
 
Equipamentos necessários 

Para iniciar a prática, você precisa de bastões específicos  com alças tipo “luva” sem dedos e tênis flexíveis que ofereçam bom suporte ao movimento natural dos pés. Além disso, qualquer espaço ao ar livre, como um parque ou calçadão, já funciona perfeitamente como sua academia. Melhor ainda , próximo à natureza e belas paisagens . 

 

Informações para a Imprensa: Alessandra Piccoli 

Sobralense disputa prêmio ESG ao lado de gigantes do mercado

A bioquímica sobralense Ticiana Mont’Alverne Parente

 

A bioquímica sobralense Ticiana Mont’Alverne Parente Feijão está entre os finalistas do Prêmio Ser Humano 2026, promovido pela ABRH Ceará, na categoria ESG — uma das mais relevantes da premiação por reconhecer iniciativas ligadas à sustentabilidade, responsabilidade social e governança.

A indicação ganha ainda mais destaque pelo nível dos concorrentes. Ticiana disputa espaço com grandes players do mercado, como DiageoM. Dias Branco e o Grupo Edson Queiroz, além de outras organizações de peso no cenário estadual e nacional.

Sócia-diretora do Laboratório Clínico de Sobral, Ticiana dá continuidade a um legado construído por seu pai, Dr. Diogo Parente. À frente da instituição, ela vem implementando práticas alinhadas aos princípios ESG, fortalecendo não apenas a qualidade dos serviços de saúde, mas também o compromisso social e ambiental da empresa.

A presença de uma profissional do interior entre os finalistas reforça o protagonismo de Sobral no cenário regional e evidencia como iniciativas locais podem alcançar reconhecimento em meio a grandes corporações.

Fonte: Sobral Em Revista

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Saúde da Mulher: Exames Ginecológicos- (Drª Carla Macedo - Ginecologia e Saúde da Mulher)


O preventivo ginecológico ou Exame de Papanicolau (como é mais conhecido), é um exame que detecta os primeiros sinais de desenvolvimento de doenças como o câncer do colo do útero. Identificando, inclusive, a presença de lesões pré-cancerígenas muitos anos antes do aparecimento do câncer propriamente dito.

🔺Para garantir um resultado mais adequado, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo com camisinha) nos dois dias anteriores ao exame, evitar também o uso de duchas e medicações de uso vaginal nas 48 horas anteriores à realização do exame. É importante também que não esteja menstruada, pois a presença de sangue pode alterar o resultado.

O mais importante de se encontrar as lesões pré-cancerígenas é propiciar o tratamento adequado antes que se torne um câncer de colo uterino.

Você já fez o seu Exame Preventivo este ano?

Lembre-se: o melhor remédio é sempre a prevenção 

A colposcopia é um exame de diagnóstico onde, através de um aparelho chamado colposcópio (que possui lentes de aumento), examinamos o Trato Genital Feminino.

👉🏻 O objetivo deste exame é encontrar uma área alterada para que seja realizado uma biópsia, que consiste na remoção de uma pequena amostra de tecido da área de aparência anormal. A biópsia é a única maneira de se saber com certeza se uma área anormal é um pré-câncer, um câncer ou nada significativo.

Cuide da sua saúde, lembre-se sempre de realizar consultas periódicas com o seu ginecologista.


Consulte uma Especialista

Drª. Carla Macedo atende na Clínica Prioritá

Endereço: Av. Monsenhor José Aloísio Pinto, 1362, salas 108  e 109 
Cidade Gerardo Cristino de Menezes
(São Lucas Medical Center)
Sobral-Ceará

Para dúvidas e demais agendamentos:

📞(88) 3677.2312 / 88 9.9318-4038(WhatsApp)

  http://dracarlamacedo.com.br/agendamento


https://linktr.ee/carlarobertaginecologista


Nas redes sociais, siga a Drª Carla Macedo pelos canais do Facebook e Instagram @dra.carla_macedo_oficial


- Quem é a Drª. Carla Macedo?

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2007) e residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a Santa Casa de Sobral (2011). Concluiu Mestrado acadêmico em Saúde da Família pela UFC (2013) na linha de pesquisa de Educação Permanente. Atualmente atuando no corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará na disciplina de Ginecologia e Obstetrícia e Doutoranda em Ciências Cirúrgicas da UFC.

O público-alvo previsto para se vacinar é de 18 a 59 anos

A doença teve cerca de 500 mil casos no mundo em 2025  (Foto: Divulgação/Butantan)

A Anvisa autorizou o Instituto Butantan a fabricar no Brasil a vacina contra chikungunya, batizada de Butantan-Chik, desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.

A produção nacional foi liberada nesta segunda-feira (4). Com o novo parecer, o Butantan passa a ser oficialmente o local de fabricação do imunizante.

A vacina já estava aprovada no país desde abril de 2025. Antes, as fábricas registradas para produção eram as da Valneva; agora, a formulação e o envase também podem ser feitos no Brasil. O público-alvo previsto é de 18 a 59 anos. A versão produzida pelo Butantan é a mesma vacina, com a mesma qualidade, segurança e eficácia, segundo o instituto.

A autorização é descrita como um passo na transferência de tecnologia e pode ajudar na incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde. O diretor do Butantan diz que produção local pode reduzir custo.

"Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança", afirmou Esper Kallás.

O estudo teve quatro mil voluntários nos Estados Unidos (EUA). Os resultados publicados na revista The Lancet em 2023 indicaram que 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes; os eventos adversos mais relatados foram dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.

Aplicação no SUS começou em fevereiro de 2026, em projeto piloto. O Ministério da Saúde iniciou a vacinação em municípios com grande incidência da doença. O imunizante também foi aprovado fora do Brasil. Além do país, a vacina contra chikungunya foi aprovada no Canadá, na Europa e no Reino Unido.

Impacto da Chikungunya

Doença teve cerca de 500 mil casos no mundo em 2025. O número é da Organização Pan-Americana da Saúde. Brasil registrou mais de 127 mil casos e 125 mortes em 2025. Os dados são do Ministério da Saúde.

O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. A doença pode causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos - dedos, tornozelos e punhos. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.

Estudos citam impactos na saúde mental e mobilidade. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte observaram risco 13 vezes maior de depressão e 76 vezes mais chance de problemas de locomoção. Nos EUA, estudo da Universidade George Washington com 500 pacientes apontou dor persistente por três anos em uma a cada oito pessoas.

Prevenção segue essencial. Ministério da Saúde orienta eliminar água parada e manter caixas d'água, cisternas e tambores fechados para reduzir a proliferação do mosquito. (Folhapress)


Santa Casa de Sobral contrata Auxiliar de Escritório

 


Reflexão da Semana

 


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Sobre inchaço nas pernas - (Dr. Elpidio Ribeiro - Cirurgião Vascular e Endovascular)


 

Inchaço pode ser passageiro ou ser um constante aviso de que algo não vai bem com o nosso corpo. Nas duas hipóteses, o primeiro pensamento é: como amenizar esse desconforto?

E aqui vão algumas dicas para você usar enquanto o dia da consulta com o médico não chega:

🦶 Dica 2: Elevar os pés ao dormir.

Ao se deitar, deixar os pés por cerca de 15 centímetros acima do nível do coração, facilita a circulação.

🦵 Dica 1: Exercite a panturrilha.

Estimular o músculo da “batata da perna” com movimentos circulares, corrida ou uma leve caminhada já melhora o fluxo sanguíneo.

📱 Agende sua consulta

(88) 99802.7000

Consulte um Especialista

 -


Dr. Elpidio Ribeiro (CREMEC: 16.907 / RQE-CE: 11.221) - É cirurgião Vascular e Endovascular com atuação na cidade de Sobral (CE). Faz parte do corpo clínico do serviço de cirurgia vascular e endovascular do Hospital Regional Norte e da equipe de cirurgia vascular para acessos vasculares do serviço de hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Realiza atendimento no Instituto de Saúde São Francisco no São Lucas Medical Center, no Hospital Unimed Sobral e na Clínica Boghos Boyadjian Sobral.

Resumo do currículo:

- Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará - campus Sobral (UFC-Sobral).

- Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-USP).

- Residência Médica em Cirurgia Vascular pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-USP).

- Residência Médica em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular d Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-USP).

- Doutorando do Departamento de Cirurgia e Anatomia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-USP).

- Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e Associação Médica Brasileira (AMB).

SERVIÇO

Instituto de Saúde São Francisco 

São Lucas Medical Center - Salas 106/107

Av. Monsenhor Aloísio Pinto, 1362. Sobral - Ceará

Fone:  (88) 99802.7000

E-mail: elpidioribeiro@outlook.com

Nas redes sociais, siga o Dr. Elpidio Ribeiro pelos canais do Facebook e Instagram @institutodesaudesaofrancisco

https://linktr.ee/institutodesaudesaofrancisco

Professora Eva Dias Cristino conclui doutorado em Ciências Médicas pela UFC

 

A professora do Curso de medicina de Sobral da Unniversidade Federal do Ceará (UFC)), Eva Dias Cristino, realizou a defesa de sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal do Ceará (UFC). A pesquisa foi desenvolvida sob orientação do professor Armênio Aguiar dos Santos, consolidando mais uma importante conquista no campo científico e acadêmico.

Neuropsicóloga e professora dos cursos de Medicina e Psicologia da UFC Campus Sobral, Eva também atua como pesquisadora no projeto “Biperideno para prevenção de epilepsia em pacientes com traumatismo crânio-encefálico”, vinculado ao Hospital Sírio-Libanês, sob coordenação do professor Luiz Eugenio Mello.

Reconhecida pela dedicação e compromisso com a ciência, a nova doutora recebeu homenagens e o orgulho da família, especialmente de seus pais, o neurocirurgião Gerardo Cristino e a promotora de Justiça Ivone Cristino.

A conquista reforça o protagonismo acadêmico de Sobral e da região Norte do Ceará na formação de profissionais altamente qualificados.

Ambulatório das Palavras: Quando uma letra pode matar (COMENTÁRIOS)

Você está no plantão da emergência ou da unidade de tratamento intensivo. Um paciente acaba de ter uma parada cardiorrespiratória e você inicia a reanimação. 

Ao seu redor, cinco pacientes entubados e graves, todos seus, todos instáveis. Você está sozinha. O laboratório manda os resultados dos eletrólitos de três deles ao mesmo tempo; você lê, avalia, decide, prescreve e registra no prontuário. 

Sem possibilidade de segunda opinião. Sem tempo de conferir. Não tem rede de segurança. Só você e a palavra impressa no resultado.E é nessa palavra que reside o problema que você desconhece.

Todo médico que já fez plantão na emergência ou na unidade de tratamento intensivo (UTI) sabe o que é o desequilíbrio hidroeletrolítico. É o pão nosso de cada plantão. O paciente grave está, por definição, em desequilíbrio hidroeletrolítico — ou está em acidose, ou está em alcalose, e invariavelmente os eletrólitos estão descompensados. Sódio, potássio, cálcio, magnésio, cloro: todos precisam ser dosados, todos precisam ser corrigidos, e todos precisam ser corrigidos agora, porque a margem para erro é zero e a janela de tempo é estreita. 

Os protocolos das emergências e das UTIs determinam a repetição dos principais eletrólitos a cada 12 horas, justamente porque o desequilíbrio se reinstala de forma contínua, e a correção precisa acompanhar esse ritmo. 

É um trabalho de Sísifo, e qualquer médico intensivista ou emergencista sabe disso na pele: a gente se esfalfa para corrigir no organismo o que a doença insiste em descompensar. 

A acidose corrigida às oito da manhã pode ter voltado ao meio-dia. O potássio reposto às duas da tarde pode estar baixo de novo às oito da noite. É assim todo plantão, todo dia, toda noite.

Agora, olhe para as duas palavras que determinam duas das reposições: hipo/hipercalemia e hipo/hipercalcemia.

  • Hipo/hipercalemia é a deficiência ou o excesso de potássio no sangue.
  • Hipo/hipercalcemia é a deficiência ou o excesso de cálcio no sangue.

São dois desequilíbrios de eletrólitos inteiramente diferentes, com duas necessidades diferentes de reposição, com consequências completamente distintas — e as duas palavras se diferenciam por uma única letra no meio: o pequeno "c" de hipocalcemia. 

Uma letra. Uma só. No meio da palavra. É pedir para o erro acontecer.

E as alterações dos dois eletrólitos ocorrem no mesmo paciente, ao mesmo tempo, na mesma folha de prescrição, no mesmo plantão. O paciente grave da UTI não tem desequilíbrio do potássio ou desequilíbrio do cálcio. Pode ter um ou outro, ou os dois. 

E as informações sobre os dois chegam juntas no resultado do laboratório, algumas vezes na mesma linha de texto. E sobretudo: as informações de todos os pacientes chegam ao mesmo tempo.

Agora voltemos ao cenário: você está sozinha, com seis pacientes graves e instáveis; as informações do laboratório acabam de chegar, e você lê "hipocalemia". O cérebro, que está processando dezenas de decisões simultâneas em modo de sobrevivência, faz a associação mais rápida disponível: "hipo-cal" — cálcio. E você repõe o cálcio. Para um paciente que precisava de potássio. 

Repondo cálcio na hipocalemia

Se o erro for ler hipocalcemia em vez de hipocalemia e o médico prescrever a reposição de cálcio em vez de potássio em um paciente com potássio baixo, o resultado é um erro terapêutico potencialmente fatal. 

O cálcio não pode substituir o potássio no organismo, e os dois íons desempenham funções opostas ou distintas na condução elétrica cardíaca. 

Ao administrar cálcio desnecessariamente, o médico corre o risco de provocar hipercalcemia, que por si só agrava a instabilidade elétrica do coração e pode precipitar uma arritmia fatal. 

Ao mesmo tempo, a hipocalemia que deveria ter sido corrigida permanece sem tratamento, e a queda progressiva do potássio pode levar à paralisia respiratória. 

O paciente, portanto, é agredido em duas frentes simultâneas: recebe o que não precisa e não recebe o que o manteria vivo.

Repondo potássio na hipocalcemia

Se o erro for ao contrário — o paciente está com hipocalcemia e o médico, ao ler rápido demais, pula a letra c e pensa em hipocalemia —, a reposição de potássio em vez de cálcio é igualmente grave, porque não trata a causa da emergência e ao mesmo tempo introduz riscos novos e independentes. 

A hipocalcemia não corrigida mantém o paciente exposto a tetania, convulsões, laringoespasmo e insuficiência cardíaca. Se o paciente não precisava repor potássio, a administração cria uma hiperpotassemia iatrogênica, e o aumento dos níveis de potássio é diretamente cardiotóxico, podendo causar arritmia grave, parada cardíaca e paralisia muscular. A combinação dessas duas alterações — cálcio baixo prolongando o intervalo QT no eletrocardiograma e potássio alto produzindo a onda T apiculada — aumenta exponencialmente o risco de arritmia ventricular fatal. 

Somando-se a tudo isso, o cloreto de potássio é extremamente irritante para as veias, e sua administração inadequada pode causar flebite com perda do acesso venoso e, em caso de extravasamento, necrose tecidual.

E o seu paciente morre. 

E ninguém investiga, porque ele já estava gravíssimo, porque a morte "era prevista", porque não houve necropsia, porque ninguém pensou em auditar a terminologia da prescrição. O erro desaparece no próprio cenário que o produziu.

Como chegamos aqui?

O potássio tem o nome que usamos no dia a dia, mas na nomenclatura química internacional o seu nome é Kalium —lembre-se da tabela periódica. Tanto que, ao se solicitar a dosagem, é comum escrever no pedido: Na+, K+, Ca2+, Cl-, não é mesmo? Talvez você não se lembre que esse K vem de Kalium, embora saiba perfeitamente que se trata de potássio. 

Kalium é o termo latino.

De etimologia controversa, esse elemento metálico teve seu nome cunhado pelo químico inglês Sir Humphry Davy em 1807. Ele foi o primeiro a isolar o potássio das cinzas de uma panela (do inglês Potash e do alemão Pottasche, passando pelo francês potasse).

Kalium é o nome neolatino e o termo científico internacional para o elemento químico potássio (símbolo K, número atômico 19), derivado de alkali, oriundo do árabe al-qaliy (القالي ), designando "cinzas” ou “cinzas queimadas".

Quando a terminologia médica em inglês precisou criar os termos para os distúrbios causados pela alteração dos níveis séricos de potássio, usou a raiz da notação química da tabela periódica: hypokalemiahyperkalemia. Com k, de kalium. O cálcio, por sua vez, gerou hypocalcemiahypercalcemia. Com c, de calcium.

Em inglês, não há a menor possibilidade de confusão: kalemia e calcemia não se parecem nem de longe, a diferença salta aos olhos.

O português fez uma escolha diferente. 

Como a letra k só foi reintroduzida no alfabeto brasileiro em janeiro de 2009, com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (junto com o w e y, o k tinha sido banido em 1943, embora essas três letras sempre tenham sido usadas somente em nomes próprios, siglas e palavras estrangeiras), o radical kal- foi aportuguesado para cal-

E nesse momento — nesse exato momento linguístico crucial — foi criada a colisão: calemia (de kalium, potássio) e calcemia (de calcium, cálcio) passaram a se diferenciar por uma única consoante no meio da palavra. 

A armadilha não foi intencional. 

Foi um legítimo acidente etimológico, aceito pelo desconhecimento de suas nefastas implicações. 

Mas este acidente, que ninguém corrigiu em décadas, a cada plantão, a cada resultado de laboratório, a cada prescrição, põe vidas humanas em risco.

E o detalhe que muita gente desconhece: o termo potassemia existe em português. Existia, era usado, era corrente na literatura médica brasileira antes da década de 1980.

Hipopotassemia, hiperpotassemia — termos claros, inequívocos, que usam a raiz do nome que nós, brasileiros, efetivamente usamos para o elemento: potássio. Não kalium, não kal-, não cal-. Potássio. Potassemia. Hiperpotassemia/hipopotassemia.

O que aconteceu depois da década de 1980 foi a influência esmagadora do inglês sobre a terminologia médica em todo o mundo, e particularmente no Brasil. 

Os artigos, os livros-texto, os protocolos, as diretrizes — tudo passou a vir do inglês, e a tradução acrítica dessas fontes trouxe consigo a forma calemia, decalque linguístico de kalemia, sem que ninguém parasse para pensar que no português essa forma era perigosa. 

O termo potassemia, que resolvia o problema, foi sendo abandonado por desuso — não porque fosse incorreto, não porque fosse impreciso, mas por não ser a tradução direta do inglês.

Perdemos a solução que já era nossa.

A proposta

A correção desse deslize terminológico, com a consequente proteção do paciente, não exige tecnologia. Não exige legislação.Não exige investimento. Exige rigor

Se usarmos hipopotassemia e hiperpotassemia para os desequilíbrios do potássio, e hipocalcemia e hipercalcemia para os desequilíbrios do cálcio, a ambiguidade desaparece. Completamente. Não há como confundir potassemia com calcemia. Não há como ler "hipopotassemia" e pensar em cálcio. Não há como prescrever a reposição errada por causa de uma letrinha que o olho cansado ou sobrecarregado do médico de plantão deixou escapar.

Eu queria muito ter acesso ao banco de dados cósmico para saber quantos pacientes morreram ao longo dos anos por iatrogenia inadvertida de origem “terminológica”. 

Quantos médicos, assoberbados, tomando decisões rápidas e graves para vários pacientes ao mesmo tempo, se enganaram por causa de uma consoante. 

Quantos pacientes receberam cálcio quando precisavam de potássio ou vice-versa e foram a óbito, e ninguém pediu necropsia porque a morte foi considerada "natural", porque o paciente "já estava em estado gravíssimo". 

Não foi natural. Foi erro médico — um erro no qual o médico foi induzido por falta de rigor linguístico.

Se voltarmos a usar hipopotassemia e hipercalcemia, estaremos salvando vidas. Não é exagero. Não é retórica. É aritmética: basta que um único médico, em um único plantão, não confunda mais as duas palavras para que algum paciente sobreviva a uma noite que não precisava ser a sua última.

Melhores palavras, melhores diagnósticos. Literalmente.

Nota sobre a conduta: o gluconato de cálcio é utilizado para proteger o coração na hiperpotassemia, estabilizando a membrana celular, e não para tratar o déficit de potássio.

Dra. Carla Vorsatz é médica com pós-graduação lato sensu em Doenças Infecciosas e Parasitárias, ambas as formações feitas na Universidade Federal Fluminense. É a autora do Dicionário de dúvidas e dificuldades do inglês médico para o português do Brasil, versão brasileira do original Libro Rojo do médico espanhol Dr. Fernando Navarro. Dedica-se a estudos linguísticos e terminológicos concentrados na linguagem médica. Acompanhe o trabalho de estudos da linguagem médica da Dra. Carla Vorsatz em Melhores palavras, melhores diagnósticos e suas publicações no linktr.ee.

Fonte: Medscape (https://portugues.medscape.com)


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Solidariedade - Campanha em prol do médico Germano Noronha formado no Curso de Medicina de Sobral da UFC

SOLIDARIEDADE - É tempo de ajudar o nosso egresso do Curso de Medicina de Sobral da UFC da 20ª turma, Germano Noronha. Ele foi diagnosticado, em janeiro desse ano, com a doença ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Ele precisa da sua ajuda para continuar a viver e a lutar contra a doença. 

Seja solidário Colabore comprando um ponto do sorteio ou com um envio de PIX  de qualquer valor - CHAVE PIX: 25853473387 🙏


Sobre Câncer de Estômago - Dr. Diego Bezerra (Cirurgião Geral - Cirurgião Oncológico)

 

Juntos podemos vencer o câncer de estômago!
Você sabia que 70 a 80% dos casos estão relacionados à bactéria H. pylori? Ela é muito mais comum do que parece, e muitas vezes passa anos silenciosa… até causar danos sérios.
Fique atento aos sinais: dor persistente no estômago, sensação de queimação, perda de peso sem explicação, náuseas ou vômitos frequentes. Esses sintomas merecem investigação.
A endoscopia é o exame que permite identificar alterações e, se necessário, realizar a biópsia, passo essencial para um diagnóstico preciso e precoce.
Cuidar agora evita complicações depois. Seu estômago fala, e você precisa escutar!
JUNTOS PODEMOS VENCER O CÂNCER

VEJA O VÍDEO ABAIXO

Consulte um Especialista


Nas redes sociais, siga o Dr. Diego Bezerra pelos canais do Facebook e Instagram @drdiegobezerra


Dr Diego Bezerra CRM 10362 - Cirurgião Oncológico. ⠀
Vesalius Centro Médico
(88) 36772311 ou WhatsApp (88) 98007000

Tecnologia de ponta na clínica Vesalius para a realização de ultrassonografia, punção biópsia de mama, tireoide e próstata.