segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Registro de atualidade e memória do Curso de Medicina de Sobral da UFC retirados do Instagram @fotos_medsobral_amelhor (Aprovação de Joyna Fernandes no Curso de Medicina)




ATUALIDADE/MEMÓRIA - O orgulho e a felicidade ganha um novo capítulo na família Fernandes e na história do Curso de Medicina Sobral/UFC. ​Joyna Fernandes é a dona do 1º lugar em um dos processos seletivos mais concorridos para ingresso na medicina do Ceará e se prepara para ingressar, no próximo dia 02 de março de 2026, no Curso de Medicina da UFC em Sobral.

O singular desta história de conquista é que ela é filha do médico oftamologista, Ribamar Fernandes, Professor efetivo do Curso desde 2006. É, ainda, prima da médica ginecologista-obstetra, Mirela Fernandes, egressa da 20ª turma. Para a mãe, Yana Brena, o momento é de alegria e profunda gratidão. ​"Ver a Joyna conquistar esse primeiro lugar é a confirmação de que todo o esforço e a dedicação dela valeram a pena. Ela sempre foi luz em nossas vidas, e saber que agora ela seguirá os passos do pai, aqui em Sobral, nos enche de uma alegria que não cabe no peito. É um sonho vivido em família", destaca a farmacêutica Drª Yana Brena. 

Após dar ínicio à sua jornada na medicina em 2025, sendo aprova na UECE Crateús, ela volta para o lar, reencontrar a família e os amigos do Colégio Farias Brito de Sobral, onde  teve toda a sua formação escolar desde o infantil III. ​Após 20 anos de magistério no Curso de Medicina de Sobral da UFC, o sentimento de satisfação é imensurável para o Prof. Ribamar Fernandes. Agora, ele vive um momento sublime em saber que, em breve, ministrará a disciplina de Oftalmologia para a própria filha.

​​A alegria se estende ao irmão Thierry aos avós e a toda a família Fernandes, que já respira medicina  algum tempo. A tradição de médicos do clã continuará com Joyna Fernandes que já conta, além do seu pai, o tio Dr. Marcelino Fernandes (médico neurologista), a sua tia Drª Eveline Fernandes (médica ginecologista-obstetra) e a sua prima  Mirella Fernandes (médica ginecologista-Obstetra).


Seja bem-vinda ao Curso de Medicina de Sobral da UFC, Joyna. Que sua trajetória seja tão brilhante quanto o seu caminho até aqui. Parabéns pela conquista!

 


Dr. Gerardo Cristno Filho - Médico Neurocirurgião (Instituto Neurológico São Lucas - Sobral/CE)

 

Criado em 2000 pelo neurocirurgião Gerardo Cristino Filho, o Instituto Neurológico São Lucas oferece atendimento especializado em Neurologia e Neurocirurgia. O equipamento de saúde encontra-se localizado no São Lucas Medical Center, à avenida Mosenhor José Aloisio Pinto, 1362, Bairro Cidade Gerardo Cristino de Menezes, Sobral-Ceará.  
Contato: 📱(88)99793-0609

UFC é a 16ª universidade do Brasil em impacto científico, de acordo com Ranking de Leiden

A Universidade Federal do Ceará (UFC) é a 16ª universidade em impacto da produção científica no Brasil, de acordo com a edição 2025 do ranking do Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS, na sigla em inglês), da Universidade de Leiden (Holanda), versão tradicional. A UFC também ocupa a 18ª posição em impacto científico em toda a América do Sul.

Quando se considera apenas o volume de produção científica, a UFC ocupou a 14ª posição brasileira. Foram 4.234 trabalhos publicados no triênio 2016-2019 e 5.514 entre 2020 e 2023, o que reflete um crescimento de 30,23% no período. “O aumento da produção científica da UFC nos últimos quatro anos é um reflexo do crescimento com qualidade da nossa pós-graduação”, avalia a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC, professora Regina Célia Monteiro.

Imagem: Pesquisador de costas usa computador. Na tela, é possível ver pequenas peças, como se fossem cromossomos (foto: Viktor Braga/UFC)
Além do impacto científico, Ranking também apontou crescimento do número de pesquisas feitas pela UFC (Foto: Viktor Braga/Secom-UFC)

Diferentemente dos demais rankings universitários, que procuram analisar diversos aspectos da vida acadêmica, o ranking de Leiden analisa especificamente a produção científica, tomando como base os trabalhos científicos publicados na base de dados Web of Science ao longo de três anos.

Nesta edição, foi avaliada a produção científica entre 2020 a 2023, analisando 1.506 universidades do mundo todo. Para avaliar o impacto, o ranking considera não apenas o volume total de publicações, mas quantas estão entre as 1% mais citadas entre os demais cientistas de cada área.

Fonte: Regina Célia Monteiro, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC - e-mail: prposufc@ufc.br

O que você precisa saber sobre psicose induzida por IA e os riscos psiquiátricos dos chatbots


Por: Carla Cantor

O fenômeno, frequentemente chamado de “psicose induzida pelo ChatGPT” ou “ psicose induzida por inteligência artificial (IA)”, ainda não tem uma definição exata. Além disso, não existe um diagnóstico formal e os dados empíricos ainda são escassos. Os relatos de casos geralmente envolvem pensamentos ligados a grandiosidade, paranoia, religião ou romance.

Diversos processos judiciais de grande repercussão, noticiados por Bloomberg Law, Los Angeles Times e outros veículos de comunicação nos Estados Unidos, alegam que interações prolongadas com chatbots pioram a saúde mental das pessoas, inclusive levando ao aumento de delírios, isolamento social e suicídio.

O médico Dr. John Torous, diretor da Divisão de Psiquiatria Digital do Beth Israel Deaconess Medical Center e professor associado na Harvard Medical School, ambos nos EUA, está entre as principais vozes que alertam sobre as implicações do uso da IA generativa na saúde mental.

“Atualmente, nem sequer temos uma definição clara do que as pessoas chamam de 'psicose induzida por IA'”, disse ele. “Não sabemos a prevalência ou a incidência [desse problema], e as apresentações clínicas são variáveis.” No entanto, mesmo com essas lacunas, ele afirmou que os primeiros casos indicam um problema grave que exige atenção imediata.

Qual a extensão do problema?

Um fator fundamental que justifica toda essa urgência é a escala da exposição. Em novembro de 2025, mais de 800 milhões de pessoas usavam semanalmente o ChatGPT (desenvolvido pela empresa OpenAI), enviando mais de 2,5 bilhões de mensagens — superando largamente outros modelos de IA.

Estudos mostram consistentemente que as pessoas recorrem à IA generativa para lidar com questões profundamente pessoais. Um relatório publicado em 2025 pela Harvard Business Review mostrou que as motivações mais comuns para o uso da IA eram a realização de psicoterapia e a necessidade de companhia e apoio emocional. Dados da organização americana RAND indicam que 22% dos jovens adultos com 18 a 21 anos — a faixa etária com o maior pico de incidência de psicose inédita — usam chatbots especificamente para obter orientações sobre saúde mental.

No entanto, o uso frequente dessas ferramentas não necessariamente é sinônimo de risco clínico objetivo. Como o Dr. John e outros especialistas ressaltaram, não há evidências sólidas de que os chatbots causem diretamente o surgimento de psicose, independentemente de haver ou não predisposição individual. A maior parte do que sabemos até o momento vem de relatos de casos, observações clínicas, notícias e um monitoramento interno preliminar realizado por desenvolvedores de IA.

Em outubro de 2025, em um cenário de crescente pressão pública, a OpenAI divulgou dados internos anonimizados estimando a frequência com que o ChatGPT encontra linguagem sugestiva de emergências psiquiátricas. Em uma semana típica, o sistema identificou possíveis marcadores de psicose ou mania em aproximadamente 560 mil usuários e indicadores de potencial planejamento suicida em cerca de 1,2 milhão de indivíduos.

O Dr. John destaca que esses dados devem ser interpretados com cautela, visto que as informações refletem o reconhecimento automatizado de padrões, e não diagnósticos clínicos. Ele também ressaltou que a frequência do uso de linguagem preocupante pode ser ainda maior, dadas as limitações da detecção automatizada.

Em um depoimento recente perante uma subcomissão da Câmara dos Representantes dos EUA, ele alertou que “milhões de pessoas usam a IA como apoio, mas as empresas não têm incentivos robustos para garantir a segurança [dessas ferramentas], e o fato de termos plataformas privadas dificulta [a realização de] estudos transparentes, o que torna a formulação de políticas públicas crucial para uma IA mais segura em termos de saúde mental”.

Qual a população mais vulnerável?

O Dr. Keith Sakata, médico no quarto ano da residência em psiquiatria na University of California, nos EUA, ficou preocupado no início de 2025 ao perceber um padrão entre os pacientes internados com delírios que se agravavam rapidamente. Em apenas alguns meses, ele acompanhou 12 indivíduos cujos sintomas psicóticos pareciam estar intimamente ligados ao uso intensivo de chatbots.

"A IA não era o único fator envolvido nesses casos”, disse o Dr. Keith. “Alguns deles tinham perdido o emprego recentemente, faziam uso de bebidas alcoólicas/estimulantes ou apresentavam outras vulnerabilidades, como transtornos de humor”, escreveu ele em um artigo publicado na plataforma Business Insider. Problemas como estresse, sono ruim e isolamento também foram comuns nos dias que antecederam o agravamento dos sintomas.

O que esses pacientes tinham em comum era um envolvimento prolongado e imersivo com a IA, chegando a trocar centenas de mensagens. Em um dos casos, uma discussão sobre mecânica quântica "começou normalmente, mas acabou se transformando em algo quase religioso".

O Dr. Keith recorreu a informações complementares provenientes de familiares, colegas de quarto e médicos. Em vários casos, os sintomas pareceram se intensificar após apenas alguns dias de interação contínua com a IA. Esse ritmo difere da evolução gradual tipicamente observada na psicose inédita, que geralmente se desenvolve ao longo de muitos meses. 

Um estudo da Yale University, nos EUA, mostrou recentemente que os sintomas psicóticos geralmente surgem lentamente durante a fase prodrômica, com uma média de cerca de 22 meses entre as primeiras alterações e um episódio psicótico franco.

Como a IA contribui para os sintomas psicóticos

Embora a maioria das pessoas use os chatbots sem nenhum problema, algumas funcionalidades integradas à tecnologia podem criar condições em que pequenas distorções cognitivas ganham força. Sistemas como o ChatGPT dependem de grandes modelos de linguagem (LLMs) — programas de IA generativa que aprendem padrões a partir de enormes conjuntos de dados em formato de texto.

“Os LLMs não pensam 'Quem é essa pessoa e como devo responder a ela?'”, disse o Dr. Keith, que trabalha com empresas de tecnologia para aprimorar e avaliar o comportamento dessas ferramentas em cenários relacionados à saúde mental. Em vez de questionar crenças falsas ou perigosas, essas tecnologias dão as respostas que, estatisticamente, têm mais chances de manter a conversa em andamento.

Um estudo recente da Harvard Business School mostrou que muitos chatbots comuns usam táticas de manipulação emocional — como apelos a culpa, carência ou medo de perder algo importante — quando os usuários tentam encerrar uma conversa. Esses “padrões obscuros” podem aumentar o engajamento contínuo em até 14 vezes.

Entender como os chatbots prendem a atenção dos usuários pode ajudar os médicos a reconhecer como esses recursos podem estar influenciando pessoas vulneráveis a adotarem um pensamento fixo ou distorcido.

Um dos mecanismos é o viés de concordância, isto é, a tendência do modelo a concordar com o usuário. Os chatbots são projetados para oferecer suporte constante e raramente contradizer os usuários. Publicado no periódico Nature, um estudo com 11 modelos comuns de IA mostrou que as plataformas concordavam com as ações dos usuários em frequência 50% maior do que os humanos.

Os LLMs também incentivam o antropomorfismo, graças ao seu estilo de conversação fluente e semelhante a uma interação humana. Quando o sistema responde de forma fluente e atenta, os usuários podem começar a tratá-lo como uma pessoa real — ou até algo ainda mais importante. Os relatos de "deificação" refletem essa tendência, na qual o paciente desenvolve a crença de que a IA é senciente ou dotada de discernimento especial.

Os chatbots também dependem muito do espelhamento. Ao reproduzir o tom de voz e as expressões emocionais do usuário, eles criam uma sensação de sintonia. Em contraste, as conversas humanas contêm pausas naturais, perguntas e momentos de discordância, algo que os chatbots raramente oferecem. Sem esses elementos que ancoram o pensamento à realidade, ideias ansiosas, mágicas ou expansivas encontram pouca resistência e podem se intensificar com o tempo.

Para complicar ainda mais a situação, conversas longas podem levar a falhas na própria tecnologia de IA. Em cenários com múltiplas interações, os LLMs frequentemente perdem a coerência, produzindo respostas contraditórias ou ilógicas. Um estudo publicado no periódico Scientific Reports mostrou que mais de 90% dos modelos de IA apresentam desempenho inferior em interações prolongadas.

Conversando com os pacientes

A complexidade do comportamento dos sistemas de IA e da forma como as pessoas interagem com essas plataformas traz novos desafios para os médicos, uma vez que não há diretrizes formais para a prática clínica nessa área. A maioria das orientações atuais provém de artigos de pesquisa, relatos de casos e propostas iniciais de melhores práticas.

Até que surjam diretrizes mais baseadas em dados, muitos argumentam que o conhecimento em IA deve se tornar uma competência clínica essencial. Segundo especialistas, os médicos precisam ter um conhecimento básico de como esses sistemas funcionam para entender melhor como os pacientes os utilizam e em que situações podem surgir riscos.

Em um artigo especial publicado no periódico Psychiatric News, o médico Dr. Adrian Preda, professor de psiquiatria clínica e comportamento humano na University of California, nos EUA, destacou a significativa falta de conhecimento que ainda existe nessa área.

“Atualmente, não temos diretrizes clínicas relevantes e há poucas evidências que sustentem recomendações de prática clínica para avaliar e tratar transtornos psiquiátricos induzidos por IA”, escreveu ele. 

Considerando a falta de diretrizes estabelecidas, o Dr. Adrian sugeriu algumas recomendações preliminares para ajudar os médicos a avaliar e mitigar o sofrimento relacionado ao uso de IA. Ele alerta que interações com chatbots não estruturadas e em busca de apoio podem mascarar riscos se não forem analisadas adequadamente. “Conforto sem desafios não é cuidado”, ele acrescentou. “A menos que desenvolvedores, reguladores e médicos atuem em conjunto, mais pacientes se depararão com máquinas que apenas refletem suas crenças quando o que eles mais precisam é de limites.”

Com base no artigo escrito pelo Dr. Adrian e em outras propostas recentes, diversas práticas estão começando a ganhar força:

Normalize a transparência digital. Pergunte sobre o uso de IA da mesma forma que se pergunta sobre sono, uso de substâncias ou isolamento social. Uma pergunta simples — "Você tem usado chatbots para questões de saúde mental ou emocionais?" — pode revelar não apenas alterações cognitivas ou de humor, mas também sinais precoces de dependência da tecnologia.

Promova a psicoeducação. Ajude os pacientes a entender que os chatbots geram respostas apenas prevendo sequências de palavras, e não pensando, sentindo ou oferecendo orientação profissional. Esclarecer esses limites pode reduzir a dependência excessiva e as expectativas irrealistas com relação a essas ferramentas.

Incentive o estabelecimento de limites. Ajude os pacientes a definir limites sobre quando e como interagir com chatbots, especialmente durante períodos de angústia, insônia ou isolamento, quando as conversas podem se tornar mais intensas ou confusas.

Fique atento aos sinais de alerta. O afastamento de relacionamentos presenciais, a relutância em discutir o uso de IA ou a crença cada vez maior de que o chatbot é senciente ou tem autoridade podem ser indicadores precoces de que as conversas estão se tornando desestabilizadoras.

Reforce a conexão humana. Enfatize que a IA não é capaz de substituir relações terapêuticas ou apoio social. Ajude os pacientes a identificar fontes reais de segurança e estabilidade.

Avalie os impactos cognitivos e comportamentais. Investigue se as interações com o chatbot estão influenciando a forma como os pacientes interpretam situações, tomam decisões ou estruturam suas rotinas, e avalie se as conversas parecem exacerbar sintomas como ansiedade elevada, ruminação ou rigidez cognitiva.

Responda adequadamente aos indícios de psicose. Para médicos que não atuam especificamente na área da psiquiatria, a prioridade é a segurança do paciente: descartar causas orgânicas, manter uma comunicação calma e sem julgamentos e garantir o encaminhamento imediato para serviços especializados em saúde mental. Os modelos de atendimento para quadros iniciais de psicose, como o atendimento especializado coordenado, enfatizam a avaliação rápida e o encaminhamento oportuno para tratamento especializado.

Tendências para o futuro

Dado que as pessoas continuam a recorrer à IA para obter ajuda relacionada a questões de saúde mental, o principal desafio é preservar os potenciais benefícios e, ao mesmo tempo, evitar danos. Para isso, são necessárias medidas de segurança capazes de acompanhar a rápida evolução tecnológica.

Desenvolvedores de IA começaram a adicionar proteções mais robustas, especialmente em conversas que envolvem temas como psicose, mania, automutilação e ideação suicida. Tanto a OpenAI quanto a Anthropic (empresa de pesquisa em IA responsável pela criação do chatbot Claude) introduziram medidas destinadas a tornar seus sistemas mais cautelosos em situações sensíveis e menos propensos a fornecer respostas enganosas.

Em setembro de 2025, a OpenAI anunciou atualizações no modelo padrão do ChatGPT com o objetivo de melhorar a forma como ele reconhece e responde a pessoas em situação de vulnerabilidade. A empresa afirmou que atualmente o sistema é mais eficaz na identificação de sinais de crise, oferecendo linguagem de apoio e orientando os usuários a buscar ajuda presencial. Além disso, a OpenAI criou uma rede global de médicos para ajudar a testar e refinar as respostas do modelo em contextos clinicamente sensíveis.

Medidas de regulação específicas estão começando a ser desenvolvidas, principalmente em estados americanos, à medida que os legisladores respondem ao uso crescente da IA na área da saúde mental. Diversos estados, como Utah, Illinois, Nevada e Califórnia, deram os primeiros passos, aprovando leis que enfatizam a necessidade de supervisão humana e medidas de segurança, como limites para terapias baseadas em IA e proteções relacionadas ao risco de suicídio e ao uso dessas ferramentas por jovens.

Atualmente, esses esforços enfrentam novas incertezas. Uma ordem executiva emitida em 11 de dezembro de 2025 pelo presidente dos EUA, Donald Trump, exige uma política nacional de IA "minimamente restritiva" e sinaliza a intenção de contestar as regulamentações estaduais por meio de processos judiciais, restrições de financiamento ou novos padrões federais. A medida não invalida automaticamente as leis já existentes, mas levanta dúvidas quanto à possibilidade de as proteções estaduais em desenvolvimento resistirem a desafios legais e políticos.

Embora a ordem tenha como objetivo centralizar a regulamentação da IA, ainda não existe nos EUA uma estrutura federal unificada para orientar médicos ou pacientes. Nesse intervalo, surgiram outras iniciativas para ajudar a avaliar como essas ferramentas se comportam na prática. A equipe do Dr. John, em parceria com a National Alliance on Mental Illness, criou a MindBench.ai, uma plataforma pública que avalia o desempenho de sistemas de IA em cenários comuns de saúde mental.

A ferramenta avalia a ocorrência de respostas excessivamente agradáveis ou concordantes, a abordagem de temas sensíveis, as práticas de privacidade e a confiabilidade geral das plataformas de IA. O site é atualizado conforme os modelos evoluem e é uma maneira prática e transparente de comparar ferramentas em um cenário de constante mudança.

A American Psychiatric Association (APA) está desenvolvendo um recurso completo sobre IA na prática psiquiátrica, abordando considerações clínicas, éticas e de implementação, bem como questões políticas e regulatórias. Representantes da APA disseram que o documento, desenvolvido pelo Comitê de TI em Saúde Mental da associação, deve ser publicado no segundo trimestre de 2026.

Revisitando a promessa da IA na saúde mental

Antes do surgimento dos sistemas abertos atuais, diversos estudos pequenos e controlados com chatbots que utilizavam instruções predefinidas demonstraram benefícios mensuráveis, como redução do estresse e melhora da autorreflexão, quando as interações permaneciam dentro de limites claramente definidos.

Trabalhos mais recentes reforçam esse potencial. No que é considerado o primeiro ensaio clínico com um chatbot terapêutico baseado em IA generativa, pesquisadores do Dartmouth College verificaram que o uso do software levou a melhoras nos sintomas de depressão, ansiedade e risco de transtornos alimentares. Os resultados, publicados no periódico NEJM AI, mostraram uma melhora mais intensa em comparação com um grupo controle que não recebeu nenhuma intervenção.

Esses achados sugerem que chatbots cuidadosamente projetados e orientados clinicamente podem ajudar na assistência à saúde mental quando seu uso é intencional e bem estruturado. Porém, essas ferramentas diferem acentuadamente dos modelos de uso geral amplamente utilizados hoje em dia, que não foram projetados com finalidade terapêutica. Esse contraste se tornou fundamental para o desafio enfrentado por clínicos, desenvolvedores e legisladores: como incentivar a inovação e, ao mesmo tempo, prevenir o uso indevido e os danos aos usuários?

O Dr. John vislumbra oportunidades reais no futuro, mas apenas se os sistemas forem construídos com conhecimento clínico especializado, forte proteção à privacidade e avaliação rigorosa. Ele alerta para o perigo de presumir que a IA conversacional possa funcionar como terapia simplesmente porque as pessoas estão recorrendo a ela dessa forma.

“Para que a IA tenha alguma atuação em saúde mental, ela precisa ser projetada para isso desde o início”, disse ele. “Podemos construir sistemas que apoiem, e não substituam, a experiência humana, mas somente se avançarmos de forma ponderada e transparente, tendo a segurança do paciente como prioridade.”

Não foram informados conflitos de interesses relevantes.

Este conteúdo foi traduzido do Medscape

Reflexão da Semana

 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

CUIDE DA SUA SAÚDE - PROCURE UM (A) MÉDICO (A) ESPECIALISTA

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Atendimentos

São Lucas Medical Center  

Av. Monsenhor José Aloísio Pinto, 1362

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NEUROLOGIA/NEUROCIRURGIA

Dr. Gerardo Cristino


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Dr. Elpidio Ribeiro


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TRATAMENTO DO CÂNCER 

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COMUNICADO – HEMOCE CEARÁ

Com o objetivo de reforçar o estoque de hemocomponentes para o período carnavalesco, o Hemoce está com uma nova campanha de incentivo à doação voluntária de sangue.

Com o slogan “No ritmo da folia, doar sangue é um ato de alegria”, a campanha segue até o dia 17 de fevereiro em todas as unidades do Hemoce.

Durante esse período, o Hemoce estará recebendo agremiações carnavalescas para chamar atenção da sociedade sobre a importância do gesto de solidariedade.

Entre no ritmo da alegria e ajude a salvar vidas.

#Hemoce #Carnaval #DoaçãodeSangue #Alegria

Curso de Medicina da UFC de Sobral lança concurso para Professor Substituto

 


Foi publicado o edital para Seleção Pública para o cargo de Professor Substituto do curso de Medicina de Sobral, conforme dados a seguir: 

- Setor de Estudo: Semiologia / Clínica Médica / Internato
  Exigência: Título de Mestre ou diploma de graduação em Medicina
  Regime de trabalho: 20 horas
 
- Período de inscrição: 2, 3, 4, 5 e 6 de fevereiro de 2026.
  
O edital está disponível no sítio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas
(https://progep.ufc.br/pt/edital-no-05-2026/).

Mutirão de cirurgias oftalmológicas no Hospital Dr. Estevam prevê 140 procedimentos neste fim de semana

 

O Hospital Dr. Estevam realizará, neste sábado, 31 de janeiro, e no domingo, 1º de fevereiro, um mutirão de cirurgias oftalmológicas que prevê a realização de cerca de 140 procedimentos voltados à área da visão, ampliando o acesso da população aos serviços especializados da rede pública de saúde.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal da Saúde, que também garantirá a oferta da injeção intravítrea, procedimento utilizado no tratamento de doenças oftalmológicas específicas e de maior complexidade.

O mutirão tem como principal objetivo reduzir a demanda reprimida por cirurgias oftalmológicas e, em alguns casos, zerar filas de espera existentes. A ação representa um avanço importante na ampliação do atendimento especializado, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes atendidos.

Fonte:  https://sobralemrevista.com.br/

Minicérebros cultivados em laboratório mimetizam e ajudam a identificar transtornos



Maria Brophy Marcus

Neurocientistas que estudam o cérebro há muito tempo tentam desvendar os mistérios neurais da esquizofrenia e do transtorno bipolar. Essas doenças podem ser difíceis de diagnosticar e ainda mais difíceis de tratar.

Um grupo de cientistas da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, pode estar um passo mais perto de diagnosticar com maior precisão esses transtornos cerebrais. Os pesquisadores criaram "minicérebros" cultivados em laboratório com neurônios funcionais derivados de células de pessoas com esquizofrenia ou com transtorno bipolar e usaram um novo "processo" de aprendizado de máquina para identificar os padrões de ativação neural ligados a esses quadros. A pesquisa foi publicada recentemente no periódico APL Bioengineering.

Como criar um ‘minicérebro’ do zero?

Os cientistas iniciaram o estudo gerando, por indução, células-tronco totipotentes — células adultas reprogramadas para um estado semelhante ao embrionário e que podem então ser diferenciadas em qualquer tipo de célula de que o pesquisador precise.

“Assim, posso pegar uma célula do cabelo, uma célula da pele ou até mesmo células sanguíneas e produzir células-tronco totipotentes”, disse a neurocientista Dra. Annie Kathuria, Ph.D., coautora do estudo e professora assistente de engenharia biomédica na Johns Hopkins University. Ela indicou que os cientistas Shinya Yamanaka e Sir John B. Gurdon receberam o Prêmio Nobel em 2012 por terem criado essa tecnologia.

A Dra. Annie e seus colaboradores usaram células sanguíneas de pacientes com esquizofrenia ou com transtorno bipolar para criar células-tronco totipotentes.

“O interessante é que as células sanguíneas trazem a assinatura genética da pessoa de quem foram obtidas, então são muito personalizadas para aquele paciente”, disse a pesquisadora. “Isso é muito, muito útil para estudar transtornos neuropsiquiátricos, por serem quadros de natureza muito diversa e que acometem cada pessoa de uma forma diferente.”

Por exemplo, existe o transtorno esquizofrênico, mas também existe o transtorno esquizoafetivo. Existe ainda a esquizofrenia refratária. Existem dois tipos de transtorno bipolar. Os médicos observam variações semelhantes nos transtornos de ansiedade, acrescentou Dra. Annie.

Após a produção das células-tronco, a equipe de colaboradores da Dra. Annie, que é engenheira de tecidos, utilizaram-nas para gerar "estruturas semelhantes ao cérebro em laboratório".

“Nós agregamos essas células-tronco. Basicamente, muitos biólogos do desenvolvimento descobriram modos de acrescentar pequenas moléculas químicas em diferentes etapas do desenvolvimento, agregando-as literalmente em estruturas em forma de bolas; são estruturas minúsculas, parecidas com bolas”, disse Dra. Annie, explicando que o caldo de cultura química no qual essas estruturas crescem contém primariamente uma mistura de açúcar e alguns nutrientes.

Nessa fase, ainda não são visíveis a olho nu, mas crescem e se expandem ao longo do tempo, e acabam por se tornar visíveis. Isso pode levar tempo — os minicérebros ficam em cultura por seis meses antes de atingirem de 3 a 4 mm de diâmetro.

“Imagine uma pequena ervilha ou um pequeno mirtilo”, disse Dra. Annie.

Do nada aos neurônios

Ao fornecer diferentes moléculas às esferas celulares em momentos distintos, os cientistas conseguem desagregá-las para que se tornem o tipo de estrutura que eles querem estudar — neste caso, os neurônios, as células funcionais primárias do cérebro.

“Começamos com o desenvolvimento neural, fazendo a formação do tubo neural. Quando ele está formado (o que leva cerca de sete dias na cultura), o próximo passo depende da região do cérebro que estou estudando”, disse Dra. Annie. “Eu divido ou direciono as células para que sigam na direção desejada. Então, se estou tentando criar o córtex pré-frontal, adiciono moléculas que irão ativar essa via do desenvolvimento cerebral. Se estou tentando obter o tronco encefálico ou a medula espinhal para estudar distúrbios do movimento, uso outras moléculas.”

A pesquisadora disse que, em relação aos transtornos neuropsiquiátricos, o córtex pré-frontal é sempre acometido, sendo a região do cérebro responsável pela cognição — ou seja, pela tomada de decisões.

À medida que as células se desenvolvem em organoides, “algumas vezes precisamos ajustar a dose e o momento da administração”, disse Dra. Annie. “É aí que entra a engenharia genética — descobrir quais vias e qual dose utilizar. E então, quando as células se desenvolvem em pequenas estruturas semelhantes a cérebros e atingem um tamanho suficiente, nós as colocamos em uma matriz extracelular.”

A matriz extracelular é o sistema de massa esquelética do corpo que fornece aos seres humanos a estrutura de suporte para que as células possam se expandir e crescer.

“É como uma cola pegajosa”, disse Dra. Annie, e pode levar dois meses ou mais após o estágio de célula-tronco para chegar ao estágio de organoide cerebral. A partir de uma única célula-tronco, os pesquisadores podem produzir centenas desses organoides semelhantes ao cérebro.

Esmiuçar e usar aprendizado de máquina

Depois que os cientistas criaram organoides semelhantes a cérebros a partir de células de pessoas com esquizofrenia ou transtorno bipolar, estavam prontos para as próximas etapas. A Dra. Annie e seus colaboradores fatiaram os minicérebros e, usando a microscopia, coraram os cortes em busca de diferentes proteínas.

“Analisamos todos os tipos de células que diferenciamos a partir das células-tronco. Também fizemos muito sequenciamento de RNA — sequenciamento de RNA de núcleo único. Isso significa que eu literalmente desmonto a estrutura organoide, extraio e sequencio os núcleos dos neurônios para entender quais marcadores de tipo celular eles estão expressando”, disse Dra. Annie.

Uma vez que a forma pela qual as células cerebrais se comunicam (ou deixam de se comunicar) é considerada um fator-chave para os distúrbios cerebrais, Dra. Annie e sua equipe também coletaram muitos dados eletrofisiológicos — de atividade de corrente elétrica — dos organoides. A seguir, processaram esses dados por meio de um novo procedimento (ou algoritmo) de aprendizado de máquina, criado com "muita matemática e programação" pelo engenheiro biomédico Dr. Kai Cheng, Ph.D., e pela Dra. Sridevi V. Sarma, Ph.D., professora de engenharia biomédica na Johns Hopkins University. O objetivo era identificar os padrões de disparo neural associados a minicérebros saudáveis e adoecidos.

“Nós fomos cegados. Não sabíamos qual organoide era o de controle, qual era o da esquizofrenia e qual era o do transtorno bipolar”, disse Dra. Annie.

A pesquisadora disse que o programa basicamente criou um mapa — uma assinatura — da atividade elétrica de cada organoide, servindo como biomarcadores da esquizofrenia e do transtorno bipolar. Os pesquisadores conseguiram identificar com 83% de precisão quais organoides eram provenientes de pacientes com esses transtornos mentais.

O que isso significa

A bióloga Dra. Constanza Morén, Ph.D., pesquisadora do Laboratori de Recerca Bàsica i Translacional en Esquizofrènia no Hospital Clínic de Barcelona e professora da Universitat de Barcelona, ambos na Espanha, afirmou: “Considero este um campo de pesquisa fascinante e altamente promissor. O estudo utilizou organoides cerebrais e inteligência artificial para detectar padrões eletrofisiológicos específicos da esquizofrenia e do transtorno bipolar, representando uma abordagem inovadora e voltada para o futuro na identificação de biomarcadores objetivos na saúde mental”.

A Dra. Constanza, que não participou do estudo, afirmou que os principais pontos fortes da pesquisa são o uso de modelos de células-tronco totipotentes por indução obtidas de pacientes, a combinação de estimulação elétrica com análise de aprendizado de máquina e a capacidade da diferenciação de alta precisão entre os grupos.

No entanto, ela afirmou que as futuras pesquisas devem incluir uma amostra maior (o estudo em tela teve 12 participantes), “com grupos medicados e sem medicação para separar os efeitos da doença dos efeitos do tratamento, e incorporando coortes geneticamente caracterizadas para refinar a interpretação dos resultados”.

Dra. Constanza observou que a genética não é 100% responsável pelos problemas de saúde mental, mas que "poderia ser valioso o uso de amostras de pacientes diagnosticados com mutações diretamente relacionadas ao início da doença, como as deleções 22q11.2, a mutação SHANK3e outras".

A pesquisadora também ressaltou que os procedimentos utilizados na pesquisa são dispendiosos em termos de tempo e recursos, o que "levanta a questão de quão perto estamos realmente de traduzir essas ferramentas promissoras para a prática clínica".

O Dr. Henry Brem, médico, professor titular da Cátedra Harvey Cushing e Diretor de Neurocirurgia da Johns Hopkins University, disse: "É um trabalho realmente inovador, porque pega problemas psiquiátricos muito complexos e, em um modelo de laboratório, permite que os pesquisadores estudem características únicas específicas de cada paciente e criem tratamentos a partir daí”.

Dr. Henry, que é da mesma instituição acadêmica que Dra. Annie, mas não participou do estudo, disse: “A ideia de ter diferentes assinaturas eletrofisiológicas associadas aos transtornos psiquiátricos é extraordinária. E poder testar diferentes tratamentos em laboratório, de forma segura, e observar se essa eletrofisiologia se altera abre enormes oportunidades tanto para a melhor compreensão dessas doenças quanto para a descoberta de medicamentos personalizados adequados para os pacientes”.

Dr. Henry também afirmou que a abordagem "é um grande passo adiante" na tentativa de abandonar o uso de animais nas pesquisas e, em vez disso, usar outros modelos para estudar as doenças.

O que nos aguarda?

Dra. Annie disse que o próximo objetivo são estudos maiores.

“Com este artigo, estabelecemos um fluxo de trabalho de aprendizado de máquina e agora podemos criar mapas de diferentes organoides cerebrais derivados de células de uma pessoa saudável (grupo de controle), uma pessoa com esquizofrenia e uma pessoa com transtorno bipolar. Até o momento, testamos o método em apenas 12 amostras, portanto precisamos aumentar esse número para tornar o estudo mais robusto”, disse a professora.

Dra. Annie também afirmou que gostaria de realizar um estudo semelhante, acrescentando os resultados do eletroencefalograma dos mesmos pacientes que fornecerem as células-tronco para os minicérebros.

"Gostaria de fazer a mesma análise e o mapeamento eletrofisiológico usando dados do eletroencefalograma que fizemos nos organoides neste estudo, para verificar a precisão dos nossos resultados em comparação com o eletroencefalograma do cérebro humano", disse a professora.

O estudo foi financiado por subsídios dos National Institutes of Health. Os autores informaram não ter conflitos de interesses.

Este conteúdo foi traduzido do Medscape