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| Foto: Reprodução/Freepik |
Tecnologia já é utilizada por 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros, indica pesquisa
A inteligência artificial já faz parte do
dia a dia da saúde, mesmo que nem sempre o paciente perceba. Ela está
nos sistemas que organizam prontuários, nos programas que analisam
exames de imagem e nas ferramentas que preveem riscos antes que o quadro
se agrave. Longe da ideia de robôs substituindo médicos, o que se vê é
uma tecnologia que funciona como apoio.
Os
chamados algoritmos de saúde cruzam milhares de dados em poucos
segundos e oferecem ao profissional uma base mais ampla para a tomada de
decisões. A pesquisa TIC Saúde de 2024, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), indicou que 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros no Brasil utilizam a inteligência artificial na rotina.
Na
prática, o uso significa diagnósticos mais rápidos, alertas para
possíveis complicações e até sugestões de conduta baseada em evidências
científicas atualizadas. Em exames de imagem, a IA pode sinalizar áreas
suspeitas que merecem atenção. Já em pacientes com doenças crônicas,
consegue identificar padrões que indicam risco de piora. O olhar final
segue sendo médico, mas ele passa a contar com uma segunda camada de
análise.
A IA também aparece nos
bastidores dos hospitais, ajudando na organização de agendas, prever
demanda por leitos e otimização de recursos. Em um sistema que lida com
pressão constante por eficiência e qualidade, este apoio pode fazer
diferença na rotina das equipes e no tempo de espera.
Este
movimento acontece em paralelo à mudança no perfil de quem busca
atendimento. O paciente moderno pesquisa sintomas antes da consulta,
acompanha resultados pelo celular e quer explicações claras e agilidade.
Neste contexto, a forma como os hospitais utilizam tecnologia impacta
diretamente a confiança do público e a gestão de reputação hospitalar.
Tecnologia com regra e responsabilidade
Algoritmos
podem errar, especialmente se forem alimentados com dados completos e
enviesados. Eles não captam emoções e não substituem a escuta atenta. A
inteligência artificial não sente dor, medo ou dúvida e, por isso, deve
estar sempre acompanhada de supervisão médica.
No
Brasil, esse movimento ganhou respaldo com um marco regulatório
recente. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em 11 de
fevereiro, a Resolução nº 2.454/2026, que estabelece diretrizes
específicas para o uso da inteligência artificial na prática médica. A
norma reforça que a decisão clínica é um ato do médico e que a
tecnologia deve servir como suporte. Também destaca a importância do
consentimento do paciente e da proteção de dados, criando um ambiente
mais seguro para a expansão destas ferramentas.
Enquanto
isso, centros de pesquisa trabalham para tornar estes sistemas mais
confiáveis e transparentes. O Centro de Inovação em Inteligência
Artificial para Saúde (Ciia), da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) é um exemplo de como ciência e prática podem caminhar juntas.
Pesquisadores desenvolvem modelos capazes de apoiar diagnósticos, prever
cenários e melhorar a gestão dos serviços.
Informações à Imprensa: Ana Beatriz Manso <ana.beatriz@searchonedigital.com.br>