sexta-feira, 13 de março de 2026

Inteligência artificial avança na saúde e redefine a rotina de médicos e pacientes

Foto: Reprodução/Freepik

  

Tecnologia já é utilizada por 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros, indica pesquisa

A inteligência artificial já faz parte do dia a dia da saúde, mesmo que nem sempre o paciente perceba. Ela está nos sistemas que organizam prontuários, nos programas que analisam exames de imagem e nas ferramentas que preveem riscos antes que o quadro se agrave. Longe da ideia de robôs substituindo médicos, o que se vê é uma tecnologia que funciona como apoio.

Os chamados algoritmos de saúde cruzam milhares de dados em poucos segundos e oferecem ao profissional uma base mais ampla para a tomada de decisões. A pesquisa TIC Saúde de 2024, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), indicou que 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros no Brasil utilizam a inteligência artificial na rotina.  

Na prática, o uso significa diagnósticos mais rápidos, alertas para possíveis complicações e até sugestões de conduta baseada em evidências científicas atualizadas. Em exames de imagem, a IA pode sinalizar áreas suspeitas que merecem atenção. Já em pacientes com doenças crônicas, consegue identificar padrões que indicam risco de piora. O olhar final segue sendo médico, mas ele passa a contar com uma segunda camada de análise.

A IA também aparece nos bastidores dos hospitais, ajudando na organização de agendas, prever demanda por leitos e otimização de recursos. Em um sistema que lida com pressão constante por eficiência e qualidade, este apoio pode fazer diferença na rotina das equipes e no tempo de espera.

Este movimento acontece em paralelo à mudança no perfil de quem busca atendimento. O paciente moderno pesquisa sintomas antes da consulta, acompanha resultados pelo celular e quer explicações claras e agilidade. Neste contexto, a forma como os hospitais utilizam tecnologia impacta diretamente a confiança do público e a gestão de reputação hospitalar.

Tecnologia com regra e responsabilidade

Algoritmos podem errar, especialmente se forem alimentados com dados completos e enviesados. Eles não captam emoções e não substituem a escuta atenta. A inteligência artificial não sente dor, medo ou dúvida e, por isso, deve estar sempre acompanhada de supervisão médica.

No Brasil, esse movimento ganhou respaldo com um marco regulatório recente. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em 11 de fevereiro, a Resolução nº 2.454/2026, que estabelece diretrizes específicas para o uso da inteligência artificial na prática médica. A norma reforça que a decisão clínica é um ato do médico e que a tecnologia deve servir como suporte. Também destaca a importância do consentimento do paciente e da proteção de dados, criando um ambiente mais seguro para a expansão destas ferramentas.

Enquanto isso, centros de pesquisa trabalham para tornar estes sistemas mais confiáveis e transparentes. O Centro de Inovação em Inteligência Artificial para Saúde (Ciia), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é um exemplo de como ciência e prática podem caminhar juntas. Pesquisadores desenvolvem modelos capazes de apoiar diagnósticos, prever cenários e melhorar a gestão dos serviços. 

Informações à Imprensa:  Ana Beatriz Manso ana.beatriz@searchonedigital.com.br

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