quarta-feira, 20 de maio de 2026

Transplante aos 80 anos simboliza mudança de critérios na medicina

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Especialistas defendem avaliação individualizada e apontam impacto de novas técnicas e medicamentos na ampliação do acesso ao procedimento

No dia em que completou 80 anos, Francisco Simeão tornou-se o paciente mais idoso do Paraná a receber um transplante renal. O caso representa a quebra de um antigo paradigma da medicina, que por décadas limitou esse tipo de procedimento com base na idade. 

O novo rim, doado pela irmã de 73 anos, veio após sete meses de diálise, quando ele apresentava apenas 9% da função renal. A história de Simeão reflete uma mudança no país. Apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil realizou 3.236 transplantes renais, e 22,5% foram em pacientes com mais de 60 anos, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Realizado no Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), o procedimento marca também o primeiro transplante intervivos da instituição e simboliza a evolução da medicina diagnóstica. Segundo o médico nefrologista Rafael Piné, responsável pela cirurgia, a "fragilidade biológica" hoje sobrepõe-se à certidão de nascimento. “No passado, a combinação entre diretrizes rigorosas e a escassez de órgãos impunha restrições etárias à realização de transplantes. O procedimento era pouco frequente em pacientes com mais de 70 anos devido a avaliações baseadas primariamente na expectativa de vida”, explica.

No entanto, hoje em dia esse cenário mudou. “A idade cronológica, isoladamente, não é mais um critério de exclusão. A indicação é feita de forma individualizada, considerando as condições biológicas, funcionais e clínicas do paciente”, afirma. De acordo com o médico, com reserva funcional e suporte familiar, o transplante restabelece a qualidade de vida e a esperança a octogenários. “Se o paciente tem um coração forte, cognição preservada e suporte familiar, a idade cronológica torna-se um detalhe secundário. Além disso, novas técnicas cirúrgicas menos invasivas e imunossupressores mais modernos e “ajustáveis” permitem que o corpo de um octogenário, como é o caso de Simeão, receba o novo órgão com um risco de complicações drasticamente menor do que há 20 anos”, pontua. 

A prova viva dessa vitalidade é o próprio paciente. Empresário com uma rotina intensa, Simeão continua trabalhando ativamente e enxerga no transplante a oportunidade de dar sequência aos seus projetos. “Aos 80 anos, eu ainda tenho muita energia e não passa pela minha cabeça parar de trabalhar. Passar pela diálise foi um desafio, mas receber esse presente me deu uma nova chance. A idade é só um número na identidade quando temos vontade de viver e continuar produzindo”, comemora o paciente.

O gesto de amor veio da irmã mais nova, a médica pediatra Beth Casimiro, que mora em Cambé (PR). Para ela, a cirurgia representou uma retribuição de vida, coroada pela coincidência da data. “O Chico sempre foi o alicerce da família. Sempre tive a impressão de que eu devia um presente a essa altura para ele, só não esperava que fosse no dia do aniversário dele. Se eu podia, por que não fazer? Foi o presente mais inusitado que eu poderia dar. É a oportunidade de oferecer uma vida nova a ele, para que continue sendo essa pessoa ativa e presente na nossa família”, emociona-se a doadora.

Para Simeão, que construiu uma trajetória marcada por influência e liderança, o transplante representa mais um capítulo voltado a projetos de legado e de impacto. Seu caso serve de estímulo para outros pacientes, mostrando que a idade, por si só, não é um impeditivo para a saúde e a renovação.

 

Sobre o Hospital São Marcelino Champagnat

O Hospital São Marcelino Champagnat faz parte do Grupo Marista e nasceu com o compromisso de atender seus pacientes de forma completa e com princípios médicos de qualidade e segurança. É referência em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Nas especialidades destacam-se: cardiologia, neurocirurgia, ortopedia, cirurgia robótica e cirurgia geral e bariátrica, além de serviços diferenciados de check-up. Planejado para atender a todos os quesitos internacionais de qualidade assistencial, é o único do Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

Informações à Imprensa:  Central Press centralpress@centralpress.com.br


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