terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Janeiro Roxo: Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase e especialista alerta sobre sintomas


País fica atrás apenas da Índia; campanha reforça importância do diagnóstico precoce e do combate ao estigma

O Janeiro Roxo chama a atenção para a hanseníase em um contexto que mistura avanços e desafios no Brasil. Em 2024, o país registrou 22.129 novos casos da doença, uma redução de 2,8% em relação a 2023, quando foram contabilizados 22.773 diagnósticos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da queda, o Brasil ainda é o segundo País com mais casos de hanseníase no mundo, atrás apenas da Índia, que notificou 100.957 casos no ano passado. Os dados referentes a 2025 ainda não foram consolidados pela entidade.
 
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa que afeta principalmente a pele e os nervos. Segundo a dermatologista Mariana Quintino Rabelo, que atende no Órion Complex, em Goiânia, o estigma histórico ainda é um dos principais entraves no enfrentamento da doença. “No passado, a hanseníase era conhecida como lepra e associada ao isolamento, deformidades físicas e exclusão social. A falta de informação atualizada faz com que muitas pessoas ainda acreditem que seja uma doença incurável, o que não é verdade”, afirma.
 
Os primeiros sinais costumam ser sutis, o que contribui para o atraso no diagnóstico. Manchas na pele com diminuição ou perda de sensibilidade ao toque, à dor ou à temperatura estão entre os sintomas mais comuns. Também podem surgir formigamentos, dormência, sensação de choque ou fraqueza nas mãos e nos pés. “Como essas alterações geralmente são indolores e não causam incômodo imediato, muitas pessoas demoram a procurar atendimento”, alerta a dermatologista.
 
Nesse processo, o papel do dermatologista é central. Como a pele costuma ser o primeiro órgão afetado, a avaliação especializada permite identificar precocemente alterações suspeitas e evitar danos permanentes aos nervos. “O olhar treinado do dermatologista ajuda a diferenciar a hanseníase de outras doenças de pele comuns, acelerando o início do tratamento”, explica Mariana.
 
Ao contrário do imaginário popular, a hanseníase tem cura. O tratamento é feito por meio da poliquimioterapia, que combina antibióticos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A duração varia de seis a doze meses, conforme a forma da doença. “Logo após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a bactéria, não sendo necessário o afastamento do convívio social, do trabalho ou da escola”, reforça.
 
O maior risco de adoecimento está entre pessoas que convivem ou conviveram de forma próxima e prolongada com alguém com hanseníase sem tratamento. Por isso, além do diagnóstico precoce, a avaliação dos contatos domiciliares é fundamental. Manter a vacinação BCG atualizada também ajuda a reduzir o risco de formas mais graves da doença.
 
Para a dermatologista, o Janeiro Roxo cumpre um papel essencial ao trazer informação qualificada para a população. “A campanha ajuda a desmistificar ideias antigas, incentiva a busca precoce por atendimento e promove a inclusão social das pessoas afetadas. Quanto mais conhecimento, menos medo, menos estigma e mais chances de interromper a transmissão da doença”, conclui.

Informações à Imprensa: COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS - Raquel Pinho e equipe

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