O
debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) vai muito para
além da infância. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de
2022, mostram que o Brasil possui mais de 521 mil pessoas com autismo
acima dos 50 anos, dentro de um universo de aproximadamente 2,4
milhões de brasileiros diagnosticados. O número evidencia uma
realidade muitas vezes invisibilizada: o diagnóstico tardio.
Por
décadas, o autismo foi pouco compreendido e frequentemente
subdiagnosticado, especialmente em gerações anteriores. A falta de
acesso à informação, dificuldades no sistema de saúde, limitações
financeiras e emocionais das famílias, além do estigma em torno de
condições neurodivergentes, estão entre os principais fatores que
contribuíram para que muitos indivíduos chegassem à vida adulta
sem diagnóstico.
Na
maioria dos casos, o diagnóstico tardio está associado a quadros
mais leves do espectro, em que não há deficiência intelectual e a
pessoa consegue manter uma vida funcional e independente. Esses
indivíduos, muitas vezes, desenvolvem estratégias para se adaptar
socialmente ao longo da vida, o que pode mascarar características do
transtorno. A busca por avaliação costuma surgir apenas na vida
adulta, quando dificuldades sociais, emocionais ou comportamentais
passam a ser mais percebidas.
Segundo
a psicóloga e especialista da Rede Oto, Mariana Kolb, o diagnóstico,
mesmo tardio, tem impacto significativo na vida dos pacientes.
“Muitas pessoas chegam aos 50 anos sem compreender aspectos
importantes do próprio comportamento. O diagnóstico traz clareza,
reduz sentimentos de inadequação e permite que o paciente
desenvolva estratégias para melhorar sua qualidade de vida e suas
relações”, explica.
Entre
os sinais mais comuns em adultos, estão dificuldades persistentes de
interação social, comunicação mais direta, sensibilidade a
estímulos e necessidade de rotinas estruturadas. Por muito tempo,
essas características foram interpretadas apenas como traços de
personalidade, o que contribuiu para o atraso no reconhecimento do
transtorno.
Especialistas
alertam ainda para os riscos do autodiagnóstico, impulsionado pela
popularização de conteúdos nas redes sociais. Embora o acesso à
informação ajude a ampliar o conhecimento sobre o tema, a avaliação
clínica continua sendo essencial para um diagnóstico seguro,
considerando histórico de vida, comportamento e contexto social do
paciente. Além disso, através da avaliação clínica passa a ser
essencial para o diagnóstico seguro, ajudando a orientar o manejo
mais adequado e intervenções personalizadas a cada paciente.
Informações à Imprensa
Assessoria da Rede Oto — Capuchino Press
Elias Bruno - elias@capuchino.com.br
Mayara Lima - mayaralima@capuchino.com.br
Lara Alves - laraalves@capuchino.com.br
Renata Benevides
Karla Rodrigues

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