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Com iniciativa de fortalecimento da Saúde Mental na Atenção Primária, ONG apoiou profissionais a realizarem 1.200 rastreios de sintomas e acolhimentos estruturados
A saúde mental já figura como o quarto motivo mais frequente de atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, atrás apenas de condições como hipertensão, diabetes e cuidados infantis. O dado, levantado pela ImpulsoGov a partir de informações do SISAB, reforça o papel estratégico da APS como principal porta de entrada para o cuidado em saúde mental no país.
Apesar da alta procura, o SUS enfrenta uma escassez histórica de especialistas: há, em média, 0,18 psicólogos por mil habitantes na rede pública, de acordo com o Institute for Health Metrics and Evaluation. Diante desse cenário, iniciativas que fortalecem o cuidado psicossocial na Atenção Primária, com base em protocolos eficazes e uso inteligente de dados, tornam-se essenciais para evitar agravamentos, internações e sobrecarga da atenção especializada.
É o que mostra a experiência da ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos que atua em parceria com governos para fortalecer o SUS. Em um projeto de fortalecimento da saúde mental na APS, a organização apoia municípios brasileiros com a formação de profissionais que não são especialistas para que possam identificar e acolher pessoas com sintomas depressivos leves a moderados. Além disso, a ONG apoia a implementação de um modelo de cuidado em saúde mental diretamente nas Unidades Básicas de Saúde.
“Nosso trabalho de fortalecimento do cuidado em saúde mental se baseia em três pilares: a formação e qualificação de profissionais da APS, a implementação contínua de rastreios e cuidados em saúde mental na rotina dos profissionais e das Unidades Básicas de Saúde, e o monitoramento e supervisão técnica na evolução dos sintomas das pessoas acolhidas”, destaca Evelyn da Silva Bitencourt, coordenadora de Produto da ImpulsoGov. “Queremos garantir que enfermeiros, agentes comunitários de saúde e outros profissionais estejam qualificados para identificar e acolher a população com sinais e sintomas depressivos leves a moderados de forma breve e precoce.”
O projeto está sendo implementado em três cidades no Brasil até o momento, sendo elas Aracaju (SE), Santos (SP) e São Caetano do Sul (SP). Nesses locais, 125 profissionais da Atenção Primária já iniciaram a capacitação e 56 finalizaram – majoritariamente agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem. Ao todo, os profissionais que participam da iniciativa já realizaram 1.200 rastreios de pessoas com esses sintomas e acolhimentos estruturados, alcançando cidadãos que, em sua maioria, nunca haviam acessado cuidado em saúde mental: 65,7% dos usuários acolhidos estavam buscando esse tipo de cuidado pela primeira vez, o que reforça o papel da APS como eixo central da resposta do SUS ao sofrimento psíquico.
Os resultados clínicos também são expressivos. A avaliação dos sintomas, feita com o PHQ-9, instrumento utilizado para auxiliar na identificação de sintomas a partir de uma escala de humor, mostrou que a pontuação média caiu de 13,8 pontos no rastreio inicial para 7,0 pontos no último encontro, após as sessões de acolhimento estruturado, uma redução média de 6,8 pontos. O resultado é equivalente a aproximadamente 50% de redução dos sintomas depressivos entre as pessoas acompanhadas.
“Os profissionais não se sentiam aptos a cuidar de algumas demandas e saúde mental é uma delas. Vejo uma mudança na confiança, na autoestima e no ‘gostar de fazer’. A autoestima dos profissionais evolui conforme os resultados após os encontros com usuários do SUS. Eles pensam: ‘eu estou ajudando alguém’”, ressalta Lidiane Rosa, psicóloga e coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial de Aracaju (SE). “Sofro bastante na RAPS por não ter profissionais capacitados na APS. Psicólogos acabam tratando casos leves e impactam a fila para casos mais urgentes. O projeto veio para desobstruir as nossas filas do SUS.”
O modelo adotado utiliza uma abordagem psicossocial breve recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conhecida como Acolhimento Interpessoal (AIP), aplicada por profissionais não especialistas. Além de uma formação presencial, o projeto inclui supervisão técnica contínua e uma operação de monitoramento de dados em tempo real, com coleta semanal de informações sobre a evolução dos sintomas por meio do WhatsApp.
Esses insights permitem que a organização possa atuar rapidamente para fortalecer o engajamento dos profissionais, impulsionar a adesão ao cuidado em saúde mental e mobilizar as gerências das Unidades Básicas de Saúde na resolução de desafios, garantindo uma implementação ágil e eficaz.
A experiência da ImpulsoGov indica que, com uso eficiente de dados, protocolos baseados em evidências e valorização das equipes da ponta, o SUS pode responder de forma mais resolutiva a um problema que já afeta milhões de brasileiros — e que tende a crescer nos próximos anos.
Sobre a ImpulsoGov
A ImpulsoGov é uma organização sem fins lucrativos que, em parceria com governos, fortalece o sistema público de saúde no Brasil com soluções inovadoras. Por meio de ferramentas baseadas em dados e tecnologia, ajuda os profissionais de saúde a prestar cuidados preventivos e eficazes, garantindo diagnósticos precoces e intervenções rápidas. A ONG já é parceira de mais de 410 municípios em quase todos os estados da federação, onde suas soluções e serviços são utilizadas por profissionais de saúde pública, contribuindo para uma saúde pública mais eficiente, inclusiva e acessível para todos. Saiba mais em: http://www.impulsogov.org/
Informações à Imprensa: Anselmo Penha (anselmo@basecomunica.com)
Lizandra Teixeira (lizandra@basecomunica.com)
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