quinta-feira, 16 de março de 2023

Mais de um quarto das crianças e adolescentes brasileiros tem colesterol total alto

Tipo de alimentação, obesidade, história familiar e sedentarismo estão entre os fatores que levam a altos níveis de colesterol no sangue

Estudo mostra também que quase 1 em cada 5 crianças tem alteração no LDL (colesterol ruim); mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir esses índices

Agência Einstein ‒ Mais de um quarto das crianças e adolescentes brasileiros (27,4%) tem altos níveis de colesterol total e praticamente um em cada cinco (19,2%) tem alterações no LDL (colesterol ruim), segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O dado é de uma grande revisão de estudos conduzida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que selecionou 47 pesquisas de todas as regiões do Brasil com crianças e jovens de 2 a 19 anos.

As pesquisas foram escolhidas a partir de mais de 800 artigos — estudos pequenos com menos de cem participantes até amostras com 62.530 mil voluntários. 

“Observamos uma prevalência importante de alteração nos níveis do perfil lipídico, entretanto, constatamos resultados muito heterogêneos, em parte porque os estudos usavam diferentes padrões para estabelecer os níveis de colesterol”, conta Thales Philipe Rodrigues da Silva, do programa de pós-graduação em Enfermagem da UFMG e um dos autores da revisão. 

Enquanto a maioria usou os parâmetros da SBC, outros optaram pelos níveis estabelecidos pelo National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI), órgão governamental norte-americano, que tem valores um pouco mais conservadores. 

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, o colesterol total é considerado elevado quando está acima de 200. Já no Brasil, o limite é abaixo de 190 para os adultos (diretrizes da SBC de 2019) e, nas crianças e adolescentes, é ainda menor: 170, segundo documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Por isso, considerando apenas os parâmetros americanos, a prevalência de alterações nas crianças brasileiras seria um pouco menor: 17,22% teriam colesterol alto.

Levando em conta que a SBP recomenda usar os parâmetros brasileiros, os autores chegaram a esse dado geral de 19,2% das crianças e adolescentes com altos níveis de colesterol, sendo que as maiores alterações foram verificadas nas regiões Sul e Sudeste, onde o problema chega a afetar até 35,3% dessa população. 

Por Canguru News 

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