sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Nota de Esclarecimento da Academia Brasileira de Neurologia


O Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia vem, por meio desta, manifestar-se em relação à matéria publicada por alguns veículos de imprensa em 26/09/2022, intitulada “Cannabis: idoso tem reversão de sintomas do Alzheimer com óleo da planta.”


A notícia em questão relata o caso de um senhor de 78 anos diagnosticado com doença de Alzheimer e que teve seus sintomas supostamente revertidos, com “melhoras no humor, sono e memória, além de a doença se manter estável” após início de tratamento experimental com extrato composto por THC (Tetrahidrocanabinol) e CBD (Canabidiol). Em seguida, a matéria reporta o acompanhamento de outros 28 casos, com estabilidade em 6 meses no grupo submetido à intervenção. O caso ora relatado foi publicado em uma revista médica (Ruver-Martins et al. Journal of Medical Case Reports (2022) 16:277) no formato de relato de caso.

Embora tenham o papel de documentar casos de interesse científico, os relatos de caso não permitem tirar conclusões sobre a eficácia ou não de tratamentos, sendo os ensaios clínicos controlados com placebo o meio mais adequado para isso. Neste tipo de pesquisa, para comprovar o possível efeito de um medicamento em teste, é necessário utilizar dois grupos de pacientes que têm a doença. Um grupo é selecionado por sorteio para receber o medicamento enquanto o outro recebe um placebo (produto sem efeito no tratamento). Nem os pacientes nem os médicos podem saber quem está tomando o medicamento em teste ou o placebo. Somente ao fim do período definido (seis meses, um ano ou mais) os pacientes serão reavaliados e então os examinadores e os pacientes vão saber quem tomou o medicamento e quem tomou o placebo. Assim, pode-se concluir se houve efeito.

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