Segundo o autônomo Leonardo (nome fictício), de 52 anos,
foi em uma "época muito conturbada" que ele contraiu hepatite. Ele
ainda morava em São Luís, no Maranhão. "Eu bebia muito, era a minha
diversão. Não me cuidava. Tinha uma vida muito bagunçada. Acabei pegando
hepatite e ainda levei o vírus para a minha esposa", desabafa. Hoje, ele e
a esposa fazem tratamento no Hospital São José, da rede pública do Governo do
Ceará.
Devido às sequelas da hepatite, mesmo curado, Leonardo
continua tomando medicamentos. "Por pouco minha doença não agravou. A
médica disse que eu quase me tornei um candidato a transplante de fígado. Tive
muito medo", diz. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, 50%
das indicações de transplantes de fígado no Brasil são em pacientes com
hepatites virais. Em todo o país, a hepatite C é a maior responsável pela
cirrose hepática e, por consequência, pelos transplantes hepáticos. "A
prevenção dos transplantes de fígado passa pela prevenção da hepatite",
afirma a hepatologista do HSJ, Elodie Bonfim.
Atualmente, o ambulatório de hepatites virais do Hospital
São José acompanha 1.200 pacientes da capital e do interior. “Somos pioneiros.
Fazemos o ambulatório que mais acompanha pacientes com hepatites virais em todo
o Ceará”, ressalta. Nesse acompanhamento, estão as consultas especializadas,
que são agendadas, exames e distribuição de medicamentos.
Cerca de 2% da população do Ceará tem hepatite tipo B ou
C, segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da
Saúde. As últimas estatísticas indicam 3 milhões de brasileiros estão com o
vírus da hepatite C e não sabem, enquanto outros 3 milhões convivem com o vírus
da hepatite B. Neste ano, de acordo com dados obtidos na Planilha de
Notificação Semanal da Secretaria da Saúde do Ceará, até a semana
epidemiológica (SE) Nº 35, foram notificados 113 casos de hepatite B e 127 de
hepatite C, com dois óbitos, no estado.
Desde 2015, o Hospital São José, seguindo a orientação do
Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Ceará, distribui medicamentos
mais modernos e mais eficazes para o tratamento das hepatites virais. A
medicação para hepatite C utilizada até 2015 tinha de 30 a 40% de eficácia.
Agora, a chance de cura passa de 95%. São remédios mais modernos e com menos
efeitos colaterais para o paciente.
Prevenção
Como não existe vacina contra a hepatite C, a prevenção
depende de conhecer as formas de transmissão do vírus e evitá-las. Para isso, é
necessário não utilizar drogas injetáveis nem compartilhar objetos de higiene pessoal,
como escova de dente e lâminas de barbear e de depilar, por exemplo, nem
acessórios de manicure e pedicure, como alicates, lixas, tesouras e espátulas.
Não se deve também usar instrumentos para tatuagem que possam conter sangue,
porque o vírus chega a sobreviver quatro dias fora do corpo humano. Verificar,
quando for fazer exames, se agulhas ou quaisquer outros objetos que entrem em
contato com sangue são descartáveis ou se estão devidamente esterilizados. No
caso da hepatite B, que também pode levar o paciente a indicação de transplante
de fígado, a transmissão pode ocorrer através de pequenos ferimentos na pele e
nas mucosas; pelo uso de drogas injetáveis e por relações sexuais sem proteção.
Contra a hepatite B há vacinas disponíveis.
Diagnóstico e tratamento
A hepatite é a inflamação do fígado. Pode ser causada por
vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças
autoimunes, metabólicas e genéticas. São doenças silenciosas que nem sempre
apresentam sintomas, mas quando aparecem podem ser cansaço, febre, mal-estar,
tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e
fezes claras. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos
vírus A, B e C.
Por ser uma doença silenciosa, o período de incubação
varia entre 10 e 30 anos. As pessoas demoram a saber que têm o vírus. O
diagnóstico precoce ajuda no tratamento e aumenta muito a chance de cura. O
teste para hepatite B e C está disponível nas Unidades Básicas de Saúde da
capital e do interior. Ana Maria (nome fictício), de 39 anos, estava grávida da
terceira filha quando descobriu, durante o pré-natal, que tinha hepatite C.
"Foi um susto. Nem acreditei", fala a dona de casa, que já chegou à
fase grave da doença e conseguiu a cura da hepatite depois do tratamento no
ambulatório do Hospital São José.
Para primeira consulta no Hospital São José, é necessário
que o paciente procure antes um posto de saúde para o agendamento e
encaminhamento. Já as consultas de retorno, a marcação é feita diretamente
Ambulatório de Hepatites Virais HSJ. A consulta com o especialista acontece
todas as segundas, das 13 às 18 horas, quartas, das 8 às 13 horas, e
sextas-feiras, das 13 às 18 horas.
Serviço:
Ambulatório de Hepatites Virais Hospital São José
(85) 3101-2343
Assessoria de Comunicação do Hospital São José
Franciane Amaral
(85) 3101.2324/ 98961.3880

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