quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cremesp investiga médico que usou fórceps em bebê morto horas após parto

Segundo o órgão, sindicância irá apurar o caso na Santa Casa de São Roque. Família diz que criança sofreu lesão grave no pescoço e não resistiu.


O médico que fez o parto de um bebê com fórceps e morreu horas depois de nascer, na Santa Casa de São Roque (SP), será investigado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
O caso que resultou na demissão do médico também é apurado na unidade hospitalar por uma sindicância interna. As causas da morte são apontadas pela família como uma lesão no pescoço.
Ao G1, o Cremesp informou que o profissional não autoriza a divulgação de contatos e que instaurou a investigação. No entanto, a sindicância leva, em média, de seis meses a dois anos para ser concluída e tramita em sigilo processual.
De acordo com Roseli Pereira da Silva, que esteve internada na unidade desde o dia 19 de agosto, quando houve o parto, um boletim de ocorrência foi registrado na época e uma terceira investigação passou a ser feita pela Polícia Civil.

A exumação do corpo da criança foi pedida, mas ainda não foi liberada pela Justiça. A certidão de óbito da criança foi registrada como causa da morte desconhecida.

'Hematomas e dores'

O drama da diarista Roseli Pereira da Silva, de 43 anos, começou no dia 19 de agosto, quando ela deu entrada na Santa Casa de São Roque com fortes dores. No local, ela ficou em observação médica.
Horas depois, houve troca de plantão entre os médicos e uma nova tentativa por parte da família em resolver o problema da gestante, que havia pedido o procedimento de cesárea para retirar a criança.

“Eu tinha indicação da ginecologista do postinho da cidade, que acompanhou minha gravidez, para que o parto fosse cesárea, não natural. Acho que por conta da minha idade, poderia ser um parto arriscado”, dissse.

Segundo Roseli, o médico - agora investigado - teria insistido para que o parto fosse natural e pediu a aplicação de soro para prepará-la para o procedimento, que demorou cerca de duas e precisou do uso de fórceps – aparelho para retirar a criança.

“Não estava aguentando mais, não tinha forças e o bebê não saía. Quando eu escutei o médico pedindo para pegarem [o aparelho] eu pedi: 'pelo amor de Deus que não usasse'. Foi horrível”, contou.
Eloah Christine da Silva morreu três horas depois do nascimento e Roseli ficou internada quase 10 dias com machucados nas partes íntimas. "Vou fazer acompanhamento psicológico. Fisicamente, estou com vários hematomas e ainda sinto dores", afirmou assim que deixou a unidade.

'Gestação Maravilhosa'

Em entrevista à TV TEM, o pai da criança contou que a mulher teve uma gestação tranquila e desconfia de negligência médica, já que a menina morreu horas depois de nascer.
“Ela teve uma gestação maravilhosa. Em nove meses, ela fez oito ultrassons e estava tudo certo. Não tinha nada para dar errado. A dor que eu estou sentindo não desejo para pai nenhum”, ressaltou Adilson da Silva.

Segundo Roseli, a família exigirá da Santa Casa, na semana que vem, acompanhada de um advogado, o prontuário médico do procedimento.

Fonte: G1

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