segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Artigo - Meu filho já é grande e ainda faz xixi na cama. Ele tem algum problema? - (Dr. Bruno Mapurunga -- Médico Urologista)



Dr. Bruno Mapurunga (Médico Urologista - CRM 12608)
Fazer xixi na cama enquanto dorme é uma condição muito comum e faz parte da rotina de diversas mães e crianças menores que 5 anos. No entanto, não é infrequente encontrarmos crianças maiores ou até adolescentes apresentando esse problema. A persistência dessa condição após os 5 anos de idade é chamada de enurese noturna e deve ser encarada com seriedade por pais e profissionais da saúde, pois pode ocasionar intenso sofrimento e problemas psicológicos para a criança.
Trata-se de uma doença de curso benigno e de alta taxa de cura espontânea. Aos 5 anos de idade, apenas 15% das crianças apresentam enurese noturna. A partir dessa idade, observamos uma taxa de resolução espontânea de 15% ao ano, sendo que aos 15 anos apenas 1% dos adolescentes apresentam enurese.

A enurese noturna pode ser classificada em duas formas: Enurese monossintomática e enurese não monossintomática.
Na maioria das vezes (cerca de 90%) a criança vai apresentar a enurese monossintomática, que se configura apenas por sintomas noturnos (perda de xixi enquanto dorme), sendo que a criança fica assintomática durante o dia. Já na enurese não monossintomática, além da perda de urina enquanto dorme, a criança pode apresentar sintomas diurnos como urgência (vontade súbita de fazer xixi), incontinência urinária, jato urinário fraco e encoprese (perda de fezes que chegam a sujar as roupas). Os casos de enurese não monossintomática estão geralmente associados a doenças mais complexas, como síndrome da bexiga hiperativa ou bexiga neurogênica. Esses são os casos em que os pais devem ficar mais alerta. Se seu filho apresenta um quadro de enurese não monossintomática você deve levá-lo para avaliação com um Urologista.
Embora tenha um curso benigno, a enurese monossintomática também merece sua devida atenção devido ao impacto psicológico que pode causar à criança ou adolescente. Esse sofrimento muitas vezes não vem apenas da vergonha de fazer xixi na cama. Estudos mostram que cerca de 40% dessas crianças chegam a ser punidas fisicamente, 50% recebem algum castigo e quase 100% delas recebem punição verbal, ou seja, o estigma intrínseco da doença associado à inabilidade dos pais em lidar com o problema se somam e afetam negativamente a criança. Se os pais detectarem que a enurese, mesmos que monossintomática, está prejudicando a qualidade de vida do seu filho eles devem levá-lo ao médico. Os pais também devem estar cientes de que punições não têm nenhuma eficácia terapêutica.
Mas o que realmente causa a enurese?
Sabe-se que a enurese noturna tem uma grande predisposição genética. Se ambos os pais tiverem apresentado enurese, a chance dessa criança ser enurética é de 75%. O risco cai para 44% se apenas um dos pais apresentou enurese noturna.
Existem três prováveis causas para a enurese noturna monossintomática:
- Uma lentificação da maturação da região cerebral responsável pelo armazenamento de urina e continência.
- O aumento da produção de urina durante o sono (deficiência de hormônio antidiurético).
- Uma dificuldade de despertar caracterizada pela persistência de fases mais profundas do sono.
A lentificação da maturação cerebral explica porque ocorre a cura conforme a criança vai envelhecendo.  Aos 5 anos de idade, 85% das crianças já tem essa maturidade e as demais vão adquirindo com o passar do tempo. Essa maturação lentificada não deve ser considerada doença e representa apenas o processo normal de amadurecimento daquela criança.
É importante frisar que a enurese noturna tem tratamento. O tratamento de primeira linha consiste em orientações comportamentais prescritas pelo médico associados a utilização de alarmes noturnos. Quando bem orientado e realizado por pais e crianças motivados, esse tratamento atinge taxas de sucesso de 68 a 78%. O acompanhamento médico é imprescindível já que a terapia pode durar alguns meses. O tratamento só está indicado para crianças maiores que 5 anos.
Em alguns pacientes selecionados e naqueles em que a terapia de primeira linha falhou podemos lançar mão do tratamento medicamentoso. O tratamento medicamentoso tem taxas de cura bem inferiores à terapia de primeira linha, entretanto, pode ser útil para algumas crianças que precisem de uma melhora rápida e por um curto período (por exemplo: uma criança que vai passar o fim de semana na casa do primo e está com medo de fazer xixi na cama! Essa criança pode utilizar uma medicação para diminuir a produção de urina à noite e nesse final de semana ela provavelmente não irá ter enurese). É importantíssimo lembrar que essas medicações só podem ser utilizadas com prescrição médica e os pais devem ser bem orientados quanto ao uso.
Ao final, o importante é que os pais saibam que a enurese não representa um ato voluntário ou desvio de comportamento do filho. Trata-se de uma doença (embora benigna e autolimitada) e a criança sofre com isso. Os pais devem estar cientes que os castigos não ajudam na melhora dos seus filhos e podem inclusive piorar o trauma que essas crianças estão vivenciando. Ao notar que seus filhos estão sofrendo, os pais devem levar a criança ao médico para receber orientações e iniciar o tratamento. A terapia quando bem indicada pode melhorar muito a qualidade de vida dessas crianças.

Dr. Bruno Mapurunga (Médico Urologista - CRM 12608
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