quarta-feira, 14 de junho de 2017

Oncogeriatria - Dr. Diego Bezerra (Cirurgião Geral - Cirurgião Oncológico)

Estima-se que em 2040, 70% dos diagnósticos de câncer serão de pessoas com mais de 65 anos e isso significa dez vezes mais pacientes na faixa dos 75 aos 84 anos e de 17 vezes na faixa acima dos 85 anos, em relação a 1975.
Este é um desafio para o tratamento, já que existem poucas evidências sobre as condutas terapêuticas desse grupo que, geralmente, já sofre de outras doenças crônicas e convive com as fragilidades da idade.
Para eles, o tratamento deve levar em conta não apenas o tumor, mas também o impacto dessas outras doenças e a autonomia e independência do doente.
A importância desse grupo é tão grande que o ASCO 2017 realizou uma sessão educacional, Improving Quality and Value of Cancer Care for Older Adults, para debater e melhorar a qualidade e valor no cuidado oncológico a idosos.
Qualidade é a medida da adesão a protocolos de tratamento e o problema aqui é que existem poucos dados científicos para essa população. Um estudo realizado em 2013, por exemplo, constatou que 60% dos medicamentos novos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) não ofereciam informações sobre seu uso em idosos.
Valor é uma forma de medir a eficiência da assistência à saúde e, na oncogeriatria, é importante levar em conta alguns fatores, como independência para funções do dia-a-dia e manutenção da capacidade cognitiva.
Qualidade de vida pode ser mais importante do que sobrevida global e isso pode significar optar por cuidados paliativos menos agressivos em vez de tratamentos mais tóxicos.
A sessão, apresentada pelas Dras. Beverly Canin, da Breast Cancer Option, Arash Naeim, da Universidade da Califórnia, Erika Ramsdale, da Universidade da Virginia e Andrew Chapman, da Universidade Thomas Jefferson, destacou também a importância de as necessidades específicas dessa população idosa serem reconhecidas e consideradas nos processos de decisão de políticas de saúde e de uma comunicação mais eficiente e clara.
Nesse sentido, a tecnologia da informação pode contribuir bastante, com melhorias na comunicação, condições de acesso, novos métodos de coletas de dados e pesquisas e aumento de decisões compartilhadas na assistência à saúde.
Os pacientes e cuidadores, ao lado dos profissionais de saúde, podem decidir quais as melhores opções de tratamento, de acordo com os desejos e necessidades pessoais.
Cansados de enfrentar as dificuldades e os altos custos do tratamento, pacientes tendem a ver conceitos como valor e qualidade como desumanizadores e querem ser tratados com indivíduos.





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