sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Solidão Marlove

Pombos aguardam no centro do Parque da Cidade por alimento que era providenciado diariamente por Marlove
Após 15 dias da morte do Marlove, 47 anos,  que alimentava e cuidava de gatos e cães abandonados, além dos pombos que revoam pelo Parque da Cidade, uma cena marca a falta que ele faz. Trata-se, justamente dos pombos que ele alimentava todos os dias, por volta das 11h 30m. Percebe-se nas aves a angústia e a decepção de uma espera frustrada. 
Acostumados à pontualidade do alimento, servido por Marlove, os pombos vão chegando aos poucos, em voos rasantes, e se aglomeram no centro da praça do Parque da Cidade. Lá, ficam aguardando a porção diária, como era de costume. Entretanto, não sabem as aves que o seu benfeitor, de tantos anos, já não se encontra no plano terrestre.

E esperam...esperam...esperam....O tempo vai passando. Até que em um voo melancólico e agoniado batem em retirada, com seus papos vazios e os bicos ávidos pelo alimento que já não vem na hora marcada. A melancolia que levanta voo com os pombos é a mesma de quem, sabendo o porquê de estarem ali, observa a cena.
Apesar da boa vontade de algumas pessoas, que moram próximo ao Parque da Cidade, em levar alimento às aves, a comida é incerta. É o que diz o técnico de consertos e serviços, José Sousa, que vez por outra alimenta os órfãos alados de Marlove. "Desde que o Marlon morreu, estes pombos ficam esperando pelo alimento que ele dava todo dia, nesse horário (11h 30m). Agora já não tem ninguém para alimentá-los todo dia. Vez ou outra alguém vem aqui e joga alguma coisa pra eles, como é o meu caso", diz José Sousa.
José Sousa, que mora próximo ao Parque da Cidade, ressalta a falta que Marlove faz os pombos
O relato de José Sousa soma-se ao depoimento de Ana Ripardo, vizinha de Marlove. Ela fala sobre a forte ligação dele com os pombos. "Ele todo dia alimentava os pombos que já eram acostumados e só comiam o que ele dava. Outras pessoas traziam comida jogavam, mas os pombos rejeitavam, só comiam o que o Marlon dava. Hoje, pela ausência dele, até já aceitam alimentos de outras pessoas, mas pelo jeito dos pombos, parece que eles ficam esperando o Marlon", diz Ana Ripardo.
Reprodução da Internet
Marlove/Marlon fez a sua passagem para o plano espiritual, mas as suas ações, em prol dos animais abandonados, deixaram fortes marcas e muita saudade, principalmente em quem mais se beneficiou delas: cães, gatos e pombos. Enfim, observando os órfãos alados do Marlove, que se aglomeram no centro do Parque da Cidade, à espera de uma comida que não chega, aguardando aquela figura que zelava por eles diariamente, não é tristeza o que define a cena, mas sim algo bem mais sutil...é uma Solidão Marlove.







Matéria e fotos do jornalista  Vanderley Moreira (JP 1641-CE)

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