RIO - A farmacêutica Novartis AG apresentou, nesta
sábado, novos resultados de testes clínicos com uma terapia experimental para o
câncer que vem sendo desenvolvida pela companhia, a CTL019. Dentre as 50
crianças e jovens tratados com células imunológicas modificadas, 41 (82%)
apresentaram remissão — a ausência de evidências da existência do câncer — após
três meses de tratamento. A empresa anunciou que pretende iniciar um processo
de registro na agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA)
no início de 2017.
Os pacientes envolvidos apresentavam, no início do
tratamento, leucemia linfoblástica aguda (LLA) relapsa ou refratária — em
linhas gerais, no primeiro caso, há a volta do tumor após um período de
recuperação; no segundo, houve resistência ao tratamento.
Em apresentação no encontro da Sociedade Americana de
Hematologia, em San Diego, nos Estados Unidos, a Novartis afirmou também que,
dentre os pacientes envolvidos nos testes, 60% não apresentaram relapso após
seis meses de tratamento.
O CTL019 faz parte de uma classe de medicamentos
experimental que modificam geneticamente os linfócitos T — células sanguíneas
do sistema imunológico. Os linfócitos T de um indivíduo são extraídos e
transferidos para um laboratório, onde passam por uma reprogramação. As células
modificadas, chamadas de "células T com receptores quiméricos de
antígenos" (CAR-T), são reinseridas no paciente.
Testes com drogas semelhantes têm se mostrado arriscados
em alguns casos — a farmacêutica Juno Therapeutics decidiu interromper, na
semana passada, os testes com o JCAR015 após cinco pacientes com leucemia
morrerem devido a um grande inchaço no cérebro.
Segundo a Novartis, o tratamento com o CTL019 afetou
quase metade dos pacientes com a CRS, uma perigosa e tóxica síndrome no
cérebro. Outros 15% dos pacientes tiveram sérios problemas neurológicos, como o
delírio. Mas a companhia destacou que os efeitos colaterais foram tratados, e
que nenhum paciente morreu devido à CRS.
Caso funcionem de forma segura, investidores esperam que
as vendas de terapias com CAR-T cheguem à casa dos bilhões de dólares. A
estimativa é que cada tratamento custe centenas de milhares de dólares.
Tratamentos com CAR-T vêm sendo testados, no momento, em
cânceres do sangue. Além do FDA, a Novartis pretende também iniciar o registro
do CTL019 na agência europeia European Medicines Agency (EMA) em 2017.
Em nota, Bruno Strigini, que comanda o setor de oncologia
da Novartis, comemorou os resultados com o CTL019.
"Este teste, o primeiro do tipo, representa um
progresso animador em vista ao nosso objetivo de ajudar crianças e jovens
adultos com células relapsas ou refratárias, uma população que tem uma
necessidade urgente para novas opções de tratamento", afirmou.
Fonte: Extra

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